

BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, MARACANA, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, French, Informática e Internet, Livros, Cinema
MSN - princesa_mestica@hotmail.com
Johannes apelidou o We Heart It de We Hate It,de tanto que eu enviava imagens (que demoram um século pra abrir) de lá pra ele ver.Eu passei realmente alguns meses viciada no site.Tanto que nunca quis saber de Tumblr ou coisa parecida.E realmente o site é muito legal.É uma coisa simples,qualquer um aprende rápido a usar.Com um clik só uma imagem que você gosta vai para o seu perfil,quer ela venha do próprio site ou não.A questão é que as pessoas fodem tudo.Como sempre.É claro que o site em si tem problemas,vide o que eu falei acima das imagens que demoram a abrir,e tem também o péssimo servidor que as vezes impede que algumas imagens sejam visualizadas,etc.Mas são realmente as pessoas que fazem o negócio perder a graça.Porquê TODO MUNDO adiciona sempre o mesmo tipo de foto.Todo mundo.Sempre.Daí que quando você procura por "food" e metade das páginas são só fotos de fast food,pizza ou dos malditos cupcakes,você começa a se cansar.A mesma coisa pra zilhões de outras tags.Quando eu digito "Lingerie" eu não quero só ver fotos de modelos anoréxicas da Victoria's Secret (que aliás,fabrica as lingeries mais cafonas que eu já vi).E quando eu digito "couple" eu quero ver casais interraciais,casais gays,ou ainda os casais hétero-brancos,mas em situações diferentes.Não TODOS passeando na praia ou deitados na grama.Se eu quisesse ver o bóbvio eu ligava a televisão ou comprava uma revista de moda.Qual é a graça do site se todo mundo só compartilha o mainstream?O pessoal não sabe usar a ferramenta.É meio com o o orkut.Ou os blogs.Aí a graça acaba pra mim e meus profiles ficam lá,às moscas.Como os de tant@s outr@s.Criatividade povo!Criatividade!
Preciso decidir até o início do ano que vem se eu largo a faculdade (trancando,pra evitar alterar muito os ânimos) e me mudo no meio do ano pra Áustria pra casar com o Johannes (e no início,enquanto nossa casa é construída,morar com os pais dele) ou se eu termino a faculdade ( o que ocorreria no final de 2012,se tudo desse certo) e só depois me mudo e me caso.Eu gosto da faculdade de História.Mas ela não serve pra nada,verdade seja dita.Se eu terminá-la, lá eu só poderia usá-la pra trabalhar num museu.E não sei se quero fazer isso.Não quero dar aulas e mesmo que quisesse não sei se seria possível.Então eu me pergunto:Eu gosto tanto assim que queira terminar mesmo que não me sirva de nada,praticamente falando?Se me servisse de alguma coisa,eu iria querer terminar?Ou eu só quero terminar pois sinto que devo,pra não desapontar ninguém e não ter duas faculdades abandonadas nas costas?Eu estou me preocupando mais com a minha felicidade ou com o julgamento dos outros?Ou mesmo com o meu julgamento?De não ter um diploma universitário,coisa que é relativamente comum no meio onde eu vivo.Se eu escolhesse terminar,não importa por qual motivo,eu aguentaria esperar dois anos pra me casar e ficar dois anos sem ver meu schatz (já que ele não teria dinheiro pra vir,pois todo o dinheiro iria pra construção da casa e eu nunca tenho tanto dinheiro)?Se eu for ano que vem,eu aguentaria viver um ano na casa dos meus sogros ( que são ótimos,mas convivência,mesmo com as melhores pessoas pode ser difícil)?Ou,eu só penso em terminar a faculdade pois é mais cômodo pra mim retardar o momento da independência?Ou ainda,será que talvez eu precise mesmo de um tempo mais longo pra processar a idéia de que não vou mais ter meus pais por perto 24/7?
Ele não me pressiona,mas deixa claro o que ele quer.Meus pais também deixam claro o que eles querem.Ao que tudo indica eles leram minha mente( porque eu não comentei nada com eles),e já disseram que eu devo terminar a faculdade,que não devo "largar tudo enquanto ele não larga nada".E que estando lá eu devo trabalhar,pois quem não entra com dinheiro não tem voz.Concordo e discordo.Ainda vou escrever um post sobre isso.Me angustia um pouco ter que tomar uma decisão e depois arcar com as consequências dela,mas me agrada saber que eu tenho opções.
Eu posso,por exemplo,fazer um curso técnico lá (duração média de 3 anos) e graças ao meu francês e ao português (quem diria!) conseguir um bom emprego.Posso até trabalhar na Suiça,que é a uma hora dali.A idéia me agrada,pensei em cursar turismo.As matérias são bem o que eu gosto de estudar.Ou eu posso trabalhar em casa.Ou não trabalhar.Que são também boas opções.
Eu resolvi que só vou decidir isso mesmo,depois que voltar da Áustria em janeiro.Depois de ter visto de perto como as coisas funcionam por lá eu vou ter mais segurança pra decidir.No entanto,é melhor eu ir pensando em tudo desde já.
Um dia,há algum tempo atrás,eu estava na casa da minha bisavó e ela resolve me mostrar algumas fotos.Foto vai,foto vem,até que chegamos a uma foto onde estavam minha tia Carminha (filha dela) com a,agora, ex-namorada.
Bisa:Carminha e a amiga...
Eu:Muito amiga,sei...
Bisa:Você sabe é?
Eu:Todo mundo sabe.
Bisa:Hihihi *aponta pra minha tia na foto* :Sapatão! *aponta pra então namorada dela na foto* :Outra sapatão! Hihihihi
E continua mostrando as fotos.
Dona Carmem,93 anos.
Ontem não foi só dia de desgraça engraçada.Foi também dia de desgraça triste.Conheci mais um troll da vida real.Começaram as aulas de Gênero (o nome da disciplina é maior mas to com preguiça).Foi muito interessante,umas questões pertinentes foram levantadas,eu venci a timidez e participei do debate concordando,discordando,levantando pontos.Tudo ótimo.Até que em um dado momento,não lembro por que,alguém comentou sobre o caso da iraniana que corre o risco de morrer apedrejada.A Sakineh.Todo mundo achando um absurdo coisa e tal.Até que um energúmeno diz que pior que o apedrejamento são os países ocidentais querendo se meter na cultura do Irã.Que se o troço tá no alcorão ( e não está) e os caras acreditam nisso,beleza.Que se alguém tem que protestar são os próprios iranianos e mais ninguém.Vê bem se eu mereço ouvir isso.Vê se eu tenho condições de ouvir isso.Pior é que nem para por aí.Diante da cara de espanto de todos e dos vários comentários contrários, ele resolve se explicar (?).E fala sobre Hitler.Que o problema do Hitler era ele querer controlar os outros povos.Aí nego fala dos judeus alemães. Ele diz que é outro povo.Aí eu perguntei "Então se ele só matasse os alemães tava beleza?".Ele não me ouviu em meio a chuva de comentários reprobatórios que recebeu.A Vaneza (aí do post abaixo) não aguentou e saiu da sala.Eu fiquei lá com vontade de apedrejá-lo.pensei em perguntar:"Então se eu te matar e ninguém aqui falar nada,tá beleza?"Até a professora se meteu,e disse que era totalmente contra o apedrejamento ( eu ia perguntar quem seria a favor,mas né?).Aí ela disse que a gente tava fujindo do assunto da aula e encerrou a discussão.Aí uma menina disse que tinha entendido o que ele queria dizer.Aí,como todos os idiotas,ele resolveu fazer uma cena.Levantou e foi apertar a mão da garota.Tipo "Alguém com dois neurônios nesta sala!".E ela não disse que tinha concordado,disse que tinha entendido.Impressionante que quanto mais imbecis,mais arrogantes as pessoas são.Sei que não consegui olhar pra ele durante todo o resto da aula.Me dava nojo.Se ele olhasse pra mim eu desviava o olhar.Sei que vai ser um loooongo semestre.Mas o que eu queria mesmo pontuar é essa questão do relativismo."É a cultura deles,eles podem tudo e não podemos/devemos interferir".Podem é o caralho.Eu acho o seguinte:Todo mundo tem uma ética.Por mais que eu concorde,que eu discorde,eu reconheço.E sabe,a ética de uma pessoa não varia de lugar pra lugar.Você não deixa de acreditar que uma coisa é correta só porque o pessoal a sua volta acha que não é.porque você mudou o seu cep ou o cep da questão.Você pode fingir,mas deixar de acreditar não.Não por esse motivo.Então que, se eu acho que uma mulher não deve ser apedrejada por adultério ( ou por qualquer outro motivo),eu acho que ela não pode ser apedrejada nem aqui,nem no Irã.Eu não posso ter dois pesos e duas medidas sabe?Aqui acredito nos direitos humanos,lá não.Por que é hipócrita sabe?Relativismo ético não existe.Ele só pode existir quando eu considero que o outro não é humano.Se eu tenho uma ética sobre como as pessoas devem ser tratadas e essa ética exclui algumas pessoas,então bem,o que eu estou dizendo é que essas pessoas não são humanas pra mim.Ao menos não humanas o suficiente.Então que eu vejo isso direto.Das pessoas usarem o relativismo cultural como escudo pra suas éticas tortas.Se uma pessoa diz que não tem problema uma mulher ser apedrejada,é porque não tem problema nem no Irã,nem aqui.Só que aqui pega meio mal dizer isso.Então,vamos usar o relativismo cultural para encobrir.Aí a pessoa alega que qualquer protesto,qualquer tentativa de modificar outra cultura é uma violência.Veja bem,na visão dessas pessoas não pode existir um diálogo cultural.Só que elas se esquecem que o diálogo já foi estabelecido.E que oh,o irã concordou com as regras do jogo.O Irã faz parte da ONU,o que implica em aceitar os acordos pelos direitos humanos.Afinal,eles estão ganhando algo em troca não?Não é obrigatório participar.Então quando eles não cumprem com as regras,cabe protesto.Se estão protestando mesmo pela Sakineh ou por outros motivos,foda-se.A troca cultural já se estabeleceu.Se eu não posso protestar contra a legislação iraniana,porque isso é invasão,então eu também não devo invadir o Irã com as tecnologias do meu país.Porque isso altera o estilo de vida também,sabe?Então eu fico muito puta com essas coisas.Porque seria muito mais honesto dizer "Não quero me meter".Simples.E também porque isso acaba estragando uma boa idéia.Que é a do relativismo cultural inicial.Cujo objetivo era compreender a outra cultura ( o que não implicava concordar com ela),dialogar e não dizimá-la porque não se adapta.Pressionar por mudanças não é violência.Aliás,esse é um processo que se dá desde sempre.Então,quando eu sei de tudo isso,e quando eu acredito em tudo isso,o tipo de comentário do nosso amiguinho troll lá em cima só pode me provocar ânsia de vômito.
Então que hoje eu acordei e fui pra faculdade,como de praxe.Ao fim da primeira aula fui ao edifício central comprar o cartucho novo da impressora.Comprei.R$ 44,90.Paguei com uma nota de R$ 50,00.Aí na saída paro numa banca de jornal pra comprar umas balinhas.Abro a bolsa e vejo que tenho R$ 10,00."Mas peraí,cadê a outra nota de R$ 50,00?!".Esta besta que vos fala esqueceu em casa.Aí pensei:Precisava almoçar por lá hoje,comprando balinha não ia dar,já que o almoço com bebida ia sair por uns oito reais mais ou menos,se eu comesse pouco.Com balinha não ia rolar ônibus de volta pra casa.Tudo bem,sem balinha por hoje.Volto pro IFCS e fico navegando na internet até a hora do almoço.Abro meus e-mails e vejo que tem um do personare:
DE: 17/08 (Hoje), 6h44
ATÉ: 19/08 , 3h45
Sol e Lua se quadram entre si, entrando no estado chamado "quarto crescente", e transitam por casas muito diferentes entre os dias 17/08 (Hoje) e 19/08: o Sol na Casa 2 pede atenção e valorização no tocante ao dinheiro, e a Lua na Casa 5 sugere um desejo emocional de cair na esbórnia. O conflito aqui é: poupar ou satisfazer o emocional? Usar o dinheiro para o essencial, ou dar alegria à criança interior, que quer se divertir? Apenas você poderá encontrar uma solução para este conflito, Raiza, mas tenha em mente que é possível alcançar uma resolução "equilibrada", nem muito ao Sol, nem muito à Lua. Vale apenas ter auto-observação.
Beleza,pensei.Já tive trânsitos piores,esse dá pra levar.Aí fui almoçar.Resolvi que ia ter que comer sem Matte mesmo.Tudo bem,um dia só.A intenção era comer pouco pro dinheiro dar pra voltar pra casa.Mas aí,né,tinha bolinha de queijo,carne assada,peixe,etc etc etc.E eu tive que botar um pouco de tudo né?E quando fui ver tava um prato de peão.Mas mantive a calma."De uns oito reais não passa".R$ 9,81 minhas queridas.Eu simplesmente pus mais de meio quilo de comida no prato.Aí fiquei pensando na merda que eu fiz e eu como iria resolver.Pensei em pedir pra pagar a totalidade da conta do restaurante no dia seguinte.Mas achei humilhação demais.Pensei em ligar pra Aleska e ver se ela tava no IFCS me me emprestar R$ 1,25 pra eu poder ir pra casa.Mas meu celular não tinha crédito.Achei um pouco demais ligar a cobrar pra pedir dinheiro.Pensei em ligar pra minha mãe e/ou meu pai virem me buscar.Mas imaginem:"Oi,preciso que você venha aqui no centro me buscar,gastei o dinheiro da passagem comendo".Resolvi voltar pro IFCS (depois de me obrigar a comer aquele pf todo,evidentemente) e pedir dinheiro a alguma amiga ou conhecido.No trajeto eu tava rezando pra achar dinheiro pelo chão.Odeio pedir dinheiro pros outros.Vergonha mesmo.Fiquei pensando em quem poderia ser minha possível benfeitora.Pensei em pedir dinheiro pras moças da xerox.Criei uma estorinha triste (porque eu não ia contar a verdade ne?) mas resolvi esperar alguém conhecido aparecer na aula de de tarde.Se ninguém aparecesse ou quisesse me empretar teria que voltar ao plano da xerox.Melhor do que pedir pra professor.Aí chegou uma alma conhecida.Aliviei.Ia ser ela mesmo.Detalhe que um pouco antes,ainda no intervalo entre as aulas,enquanto eu escovava os dentes,a escova quebrava e cai com a parte da pasta virada pra minha blusa preta eu achei mais algumas moedas no fundo da bolsa.Não tava me conformando que não tivesse mais dinheiro já que eu sempre tenho alguns trocados jogados na bolsa.Então de humilhantes R$1,25,eu passei a precisar só de R$00,30.Menos constrangedor.Aí no fim da aula eu pedi e ela disse sim (antes eu fiquei imaginando a minha cara caso ela dissesse não).Agradeci,perguntei que dias ela estaria lá pra eu devolver,mas como ela só estaria a noite ou de tarde,falou que eu não precisava pagar."Relaxa,são só R$00,30".Preciso aprender com ela.Aí no caminho até o ônibus vi uma barraquinha de milho,senti o cheiro da pipoca com bacon,quis comprar balinha e um massageador de cabeça (R$ 2,00!).Mas aí eu lembrava né."Você não tem mais dinheiro sua anta".Aí vim embora.
Lições aprendidas:
1 - Nunca fazer pouco das previsões do Personare.
2 - Sempre conferir se tenho dinheiro antes de sair de casa.
P.s:Obrigada pela ajuda Vaneza!
Hoje não tenho nada de relevante para dizer,mas me deu vontade de escrever mesmo assim.Então cá estou.
Hoje as minhas férias à prestação (por que né? A UFRJ sempre dá um jeito de foder com o calendário) acabaram e eu tive que voltar pro IFCS.Foi duro viu?Primeiro porque ontem eu estava mimijando de rir com esse blog e só fui dormir depois de meia-noite.Não tenho organismo de micareteir@ vida loka,então pra acordar às 07:30 foi foda.Acordei,sem acreditar que eu teria mesmo que levantar e ir tomar banho naquele frio de 15 graus.Pior,sem ter certeza se teria mesmo aula (sim,esse é o tipo de estudante que eu sou).Fiquei mais 15 minutos na cama e fui tomar banho.Difícil entrar,difícil sair.Enfim me arrumei,e olha que hoje eu fui bem elegante.Tudo combinando e talz.Peguei emprestado um anel da minha mãe (quando vi o anel fiquei meio espantada dela ter comprado um anel bonito,afinal bom gosto pra bijouterias é uma qualidade que mamãe não tem.Aí ela me contou que foi presente e fez-se a luz) e não me conformo até agora de ninguém ter reparado.Nos primeiros 5 minutos dentro do prédio da faculdade,consegui cair na escada.Sorte que só uma pessoa viu e nem sacaneou.Diferente de mim que sacaneei a Aleska quando ela me contou que caiu da mesma escada.Acho desnecessário comentar que eu caí enquanto reclamava de algo.Afinal,é quase sempre assim.Cheguei atrasada,como também já está virando costume.Mas a professora ainda não estava lá.Cumprimentei as amigas,blá blá blá até a mulher chegar.Com o powerpoint.Lá na faculdade nego,cansado de cuspe e giz,comemora quando ter powerpoint.Eu não gosto.Tem que mudar cadeira de lugar,ficar olhando pra parede faz meu pescoço doer,e nunca está escuro o suficiente pra gente ver as imagens direito.Isso é claro,quando o powerpoint funciona.Essa professora tentou mostrar um vídeo no youtube pra gente,mas é óbvio que não deu.A internet da UFRJ bloqueia todos os sites legais.Aí,ela falou que ia destribuir o programa da disciplina pro pessoal.Mas adivinha?Não tinha cópia suficiente pra todo mundo.Agora adivinha quem ficou sem cópia?Brilhante dedução Watson.Eu sei que eu sou chata,mas eu acho assim:não tem pra todo mundo,não tem pra ninguém.Aí que no tal programa da disciplina tava escrito que vão ser quatro avaliações.Quatro.Eu pensei:"Mas que caralh* é esse?!" mas preferi não me revoltar.Estou evitando a fadiga.Depois ela disse que a gente devia comprar pelo menos um livro de cada disciplina.Não lembro se ri discretamente ou se ri na cara dela mesmo.Filha,me dá o seu dinheiro que eu compro um livro de cada disciplina.Me dá o seu dinheiro que eu compro tempo pra lê-los.Aí foi isso.No mais,achei ela legal.
Depois da aula fui comprar o cartucho novo da impressora,pois que está há dias sem tinta preta e o colorido não é bem colorido.Tudo começou quando acabou a tinta da primeira vez.Fui recarregar.Primeira recarga de cartuchos da vida.Parecia barato,deixei os cartuchos na lojinha e voltei pra buscar depois.Tive a leve impressão que tinham trocado os meus cartuchos por outros.Mas como não tinha certeza,deixei rolar.Se funcionasse tava bom.Funcionou.O colorido saiu meio estranho,nunca mais o mesmo,mas funcionou.Aí tempos depois,hora de recarregar de novo.Levo numa loja lá no edifício central,visto que a primeira loja pegou fogo (ou pegaram fogo nela,já que era a xerox mais barata da região e o pessoal do IFCS sempre ia lá,dando prejuízo ao pessoal da xerox do prédio.Hipóteses).Pois bem,recarrego o troço,pago mais caro,tenho o mesmo problema com o colorido mas tá beleza.Só que tipo,dias depois,não tem mais tinta preta.E eu nem usei tanto.Voltei lá depois de um tempo pra reclamar.Demorei pra reclamar porque minha mãe acha que todo papel em cima da mesa é lixo,e jogou o papel da loja fora.Chegando lá a mulher diz que eu não tinha recarregado lá.Tinha sim,mas enfim,mandei recarregar de novo.Dias depois,mesmo problema.Me emputeci e decidi que nunca mais piso lá nem vou mais recarregar a porra dos cartuchos.Vou é comprar novos.Sendo que que tava esperando voltarem as aulas pra ir nas lojas,já que a preguiça comanda a minha vida.Só que,nesse perído sem tinta minha mãe trouxe mil coisas para serem impressas.Quando tinha tinta ela não trazia NADA.Aí né, mimimiimi essa porra nunca funciona quando eu preciso,compra logo essa merda dessa tinta.Aí falei que ia comprar hoje.Só que esqueci os cartuchos em casa e não anotei o modelo da impressora.Aí ela me ligou pra perguntar se eu tinha comprado."Não"."Porque não?!"."porque eu queria ver outras ofertas e bá blá blá".Disse que amanhã vou lá resolver.Mas como amanhã fico lá o dia todo ela falou pra eu não resolver."Almoça e volta pra faculdade,quarta-feira você resolve".Mas vou resolver amanhã.Aí voltei pra casa,fiquei na internet e lendo as revistas de domingo ao invés de procurar os primeiros textos da faculdade.Depois fui almoçar e a comida tava uó.A diarista aqui de casa é ótima em todos os aspectos,mas comida,realmente não é com ela.Mesmo depois de escovar os dentes ainda fiquei com o gosto ruim da comida na boca.Aí,mais internet até o Schatz chegar e a gente ficar conversando,rindo,contando como foram os nossos dias,mandando beijo,etc.Aí ele foi dormir (5 horas de diferença),naveguei mais na internet.Me deu vontade de blogar.Comecei a pensar de novo que queria mudar o nome do blog,mudar o layout,etc.Aí a Gabi me ofereceu a conta dela ( o que implica em me dar a senha
) no blogger pra fazer um blog novo.E eu fiz.Ainda não tem nada postado.Estou caçando um layout novo enquanto escrevo esse post.O nome do blog novo é Mercúrio em Touro.Assim como esse blog,ele não tem perfil.Eu podia separar os blogs em assunto,tipo,posts políticos e afins ficam aqui,os pessoais lá,mas como vocês sabem,zona é a especialidade da casa,então vai ficar bagunçado mesmo.Talvez eu importe as mensagens desse blog pra lá,talvez fique com os dois.não sei.Sei que eu gosto de blogar e acho que não vou parar nunca.Esse já deve ser o quarto,ou sexto (se contar os blogs em que eu não escrevi nada) que eu crio.Acho que o Garrafa Ao mar foi o que durou mais.Os primeiros eram aqueles diarinhos de adolescente revoltada.Mas me deram muita alegria.Uma boa parte dos posts me daria vergonha se eu relesse,mas queria ter salvo alguns outros ( e alguns desses também,why not?)
P.s:Fui na cozinha fazer Nescau agora há pouco e acho que acabei com o achocolatado.Temo que não tenha para amanhã de manhã e eu tenha que ir no barbudo da esquina (cuja esposa é um doce) comprar toddynho de manhã.
Quando fui fazer o nescau reparei que as baratas (aquelas pequenininhas,meio amareladas,que eu odeio mais que as grandes voadoras) continuam montando acampamento na cozinha.Elas só aparecem a noite e minha mãe finje que não vê.Já reclamei trocentas vezes mas ela prefere abstrair as baratas.Voltou a trabalhar tem pouco tempo e ainda tá meio zureta.Acha que baygon de vez em quando resolve.Se ela abstrai,eu abstrai também ué.Até não aguentar mais e perturbar a vizinha de novo (perturbamos tanto essa mulher pedindo coisas que nem sei mais como ela abre a porta depois de ver a gente no olho mágico) pra perguntar qual veneno ela usa.Meu pai trabalhou anos e anos numa firma de dedetização mas fez questão de esquecer tudo que aprendeu no emprego que detestava.Só espero que as baratas não entrem com uma ação de usocapião pela posse da cozinha até acharmos o veneno.
No mais,passei a tarde ouvindo o flanelinha bêbado aqui da rua gritar com não sei quem (como todos os dias.Todo dia bêbado,todo dia flanelinha,todo dia gritando).O barulho dos carros em alta velocidade na radial oeste e,exepcionalmente hoje, música evangélica que um vizinho fez questão de compartilhar com o resto da rua.E é claro que ele teve que cantar junto,o que vocês esperavam?
P.s 2:To sem saco de corrigir os possíveis erros desse post.Qualquer coisa me avisem que amanhã eu resolvo.
Este post faz parte da blogagem coletiva "Auto-estima E O Feminino",excelente idéia da minha amiga Aleska.
Estava aqui quebrando a cabeça para escrever o texto que a Aleska me encomendou.Auto-Estima e o feminino?O que eu poderia escrever sobre isso?Pensei que já tivesse escrito e lido todo o possível sobre o assunto.Até que algo me ocorreu:Toda vez que ouço/leio uma mulher dizer que tem orgulho de ser mulher,ela menciona o útero e a capacidade de geração das mulheres.Isso sempre me soa tão simplista e machista.Como se isso fosse a única coisa que temos e podemos nos orgulhar.Como se fosse a única coisa apreciável para nós no nosso corpo.A única coisa que nos faria superiores ao macho,que fica implícito,teria o corpo perfeito.Como se nós precisássemos de um motivo para nos orgulharmos de sermos mulheres!Só se procura justificativas para gostar de algo quando esse algo não é evidentemente bom.E nós somos.Não precisamos de motivos.Os homens não procuram motivos para gostarem de serem homens.Não procuremos nós também.Nós existimos,basta.Não nos justifiquemos.Existamos e dominemos o mundo!
Orgulhem-se sempre de serem mulheres!
É tanta coisa pra contar que eu não sei nem por onde começar.Provavelmente vai ser um post quilométrico.Peguem um café,uma almofada e sentem-se.
Tudo começou em Agosto do ano passado,dia 23,por volta das 22:00 (informações constantemente repetidas pelo Schatz),foi nesse dia que começamos a teclar,e também nesse dia que ele se apaixonou por mim.Conversavámos todo dia,horas e horas,já sabendo que queríamos ficar juntos pra sempre.Enviávamos presentes pelo correio,telefonávamos,etc.Perto do natal ele me convidou pra ir a Áustria conhecer a cidade onde ele mora e a família dele.Foi meio em cima da hora,eu não tinha dinheiro e nem quem me levasse (meus pais não iam me deixar ir sozinha).Ficamos tristes mas reprogramamos pra julho.Minha mãe não queria,achava que ele podia ser um maníaco,terrorista,traficante de mulheres ou tudo isso junto.Eu sempre soube que não.Então,quando minha irmã topou me levar (ela ia a trabalho para a Inglaterra e disse que de lá me levaria) ela e meu pai acabaram aceitando.O Johannes pagaria minha passagem e finalmente iríamos nos encontrar.Mas minha irmã tinha uma cirurgia marcada e no fim a médica a proibiu de viajar.Depois de muita choradeira ele se dispôs a enfrentar o pânico de avião e aceitar o convite dos meus pais e vir pra nossa casa.Tudo pronto,muito expectativa e então ele finalmente chegou.Domingo passado.Com direito a beijaço no aeroporto (filmado pela mãe dele),a partir daí foi só alegria,fomos a Copacabana,Leme,Lagoa,Urca,Feira de São Cristóvão,etc.Minha família veio conhecê-los (todo mundo se adorou,como eu sabia que ia acontecer),apresentei-os às amigas,fomos a uma joalheria comprar os anéis de noivado (fiz questão que ele também tivesse um - somos pela igualdade),tiramos muitas fotos,fizemos muitos vídeos,comemos, bebemos e amamos como se não houvesse amanhã.Infelizmente,tinha amanhã sim,no caso hoje,e ele e os pais (adoráveis) tiveram que voltar pra casa.Fomos eu,minha mãe e meu pai levá-los no aeroporto algumas horas atrás.Mais choradeira,mais beijos,mais comida.Já estamos com saudade e querendo que eles voltem.No final do ano irei pra lá.Vamos começar a juntar dinheiro desde já.No ano que vem,nossa casa começa a ser construída,e provavelmente também no ano que vem,ou no mais tardar no próximo,os sinos vão tocar.Estamos todos muito animados,meus pais já o adoram e os dele também me amam.Tudo na paz,todos muito felizes.Aquele tipo de coisa que a gente pensa que só acontece em filme.O único porém é que não sei se vou poder andar com meu anel de noivado por aí.Tenho medo que roubem.Sabem como é o Rio.Agora estou ansiosa para chegar logo amanhã e eu poder saber se eles chegaram bem em casa.
Manterei vocês atualizad@s sobre os próximos capítulos do romance.
Agora vou ver se estudo pra prova de manhã (pouco provável).
Kuss Kuss.
Durante uma aula de "Judeus no Brasil" eu tive uma epifania.É disso que o texto de hoje vai tratar.Vou falar dela ao longo do post todo.Mas primeiro,vamos a como eu cheguei até ela.
O principal assunto dessa matéria é a construção da identidade judaica.Os professores tentam questionar essa idéia de "Povo judeu,o eternamente perseguido".Tentam mostrar,dentre outras coisas,que não só os judeus foram perseguidos ao longo da História e também como essa identidade construída em cima de tragédias limita a visão que as pessoas de fora e os próprios judeus tem de si mesmos.Ao assumirem a identidade de "eternas vítimas",o povo judeu ( e outros que validam esse pensamento) acaba varrendo as grandes contribuições judaicas no mundo pra debaixo do tapete.Evidentemente,essa construção identitária surgiu como uma forma de resistência contra as opressões que,ninguém nega,realmente existiram.E eu acho perfeitamente válido que se relembre os percalços pelos quais o povo judeu passou para que eles não mais se repitam.Mas fazer só isso,se enxergar só através disso, é pobre.Mina a auto-estima da comunidade.E impede qualquer evolução.Porque se a História é construída em cima de tragédias e supõe-se que elas não mais acontecerão (ou luta-se para que elas não mais aconteçam),a História acaba aí.Não tem mais tragédia,não tem mais povo judeu.E eu me pergunto:O que acontece no "entre-guerras"?
Compreendido tudo isso,vamos ao ponto que nos interessa:As mulheres.
Guardadas as devidas proporções e diferenças,até onde nós feministas criamos essa identidade vitimizada para as mulheres?
Evidentemente somos vítimas.E como eu disse antes,o problema de algumas que rejeitam o feminismo é não querer adimitir isso.Mas não somos só vítimas.E eu acho que falta ao discurso feminista recuperar com mais força os movimentos de resistência das nossas irmãs ao longo da História.Isso é feito,mas não tanto quanto eu julgo que seria bom.Falta mostrar a nós mesmas que a História de opressão foi também uma História de resistência,avanço e superação.Vejam bem,não é usar os movimentos de mulheres que pleiteavam direitos dentro do que era possível para "provar" uma suposta igualdade ou equivalência,como alguns acadêmicos gostam de fazer.É usá-los para provar que sempre as mulheres tentaram alterar seu destino e adiquirir autonomia.Não sofremos caladas.Que se glorifiquem esses momentos.E também as contribuições femininas para a humanidade.Mesmo que elas não tenham relação direta com a causa das mulheres.Quando nos damos conta de que nunca nos curvamos por completo,que sempre resistimos e construímos grandes coisas fica mais fácil resistir a opressão que nos é imposta ainda.Não digo para construirmos um passado idealizado ( a igualdade celta,egípcia,etc) mas para reconhecermos que a caminhada das mulheres ao longo da História não foi estéril.Quando não fazemos isso,estamos contruindo nossa identidade tendo por base o outro que nos oprime.Paremos de contruir nossa identidade com base nos nossos "algozes".Vamos nos pensar como mulheres e não como não-homens.Uma categoria independente,ainda que oprimida.E acho que essa reflexão vale para todas as minorias políticas.
Vou parar por aqui.Complementem com o que julgarem apropriado.
Beijos.
Eu sei que o título parece contraditório observando-se o post anterior mas eu explico:Fizeram uma festa surpresa pra mim hoje!A Thais organizou junto com a dona Sônia,mãe dela e todas as meninas vieram.Foi tão lindo.Foi a primeira vez que eu tive uma festa surpresa.E não poderia ter sido em melhor hora,depois de tudo que aconteceu.Eu fiquei tão feliz.Ainda estou emocionada,nem estou acreditando que aconteceu mesmo.Elas guardaram segredo direitinho,não desconfiei de nada.A Thais me chamou pra ir na casa dela hoje assistir a uns doramas e eu fui numa boa (meio desarrumada,cabelo bagunçado pelo vento,esmalte descascando) e quando eu chego na porta do apartamento:Surpresa!Todas as minhas amigas estavam lá me abraçando,tirando fotos,me dando presentes (enquanto escrevo estou usando os Hipos,as pantufas de hipopótamo que a Gabi,a outra aniversariante homenageada,me deu.Amanhã vai ser a vez das pulseiras que a Aleska me deu.Parecem feitas de pedras vulcânicas,amei.E até o fim do mês vai ter mais sangue no meu açucar que açucar no meu sangue graças as balas que a Raquel me deu).Tinha também uma mesa linda cheia de balas e docinhos e um bolo delicioso com corações de chocolate.As músicas foram as que eu e a Thais tinhamos escolhido para a minha festa que foi cancelada.Todos os artistas que eu adoro tocando enquanto brincávamos de mímica e de tentar adivinhar quem era quem pelo rosto e pelas mãos da pessoa,enquanto tínhamos os olhos vendados.Essa última brincadeira foi uma excelente sugestão da Dona Sônia (que fez os salgadinhos maravilhosos com os quais eu me empanturrei a tarde toda).Acertei todo mundo,evidentemente
.E acertaria até se estivessem todas de costas
.Mas o ponto alto da noite foi mesmo as meninas acertando a mímica da Carol de "O Encouraçado Potemkin".Foi tudo tão bom,as brincadeiras,botar o papo em dia (especialmente aqueles papos,né Gabi?) e principalmente me sentir assim tão importante pras minhas amigas!Muito obrigada meninas,nunca vou esquecer esse dia
.E um agradecimento especial à Thais que teve esse trabalhão todo preparando tudo.Eu sou muito sortuda de ter amigas como vocês =´]
Quando foi escurecendo e tivemos que ir embora,o pai da Lari fez a gentileza de levar à mim e a Aleska até o ponto,assim evitamos de andar sozinhas pelas ruas desertas.Quando cheguei em casa a primeira coisa que fiz foi começar a escrever esse post.Tinha que compartilhar isso com todo mundo.
De novo,obrigada a todas.Espero ter chances de retribuir tudo que vocês sempre fazem por mim.Amo vocês queridas ![]()
Obs:Fotos no orkut em breve.
Preciso tomar fôlego para começar a escrever esse texto.Meu aniversário de 20 anos foi ontem e eu o passei tirando a lama do meu apartamento.Eu moro no Maracanã,próximo da Praça da Bandeira.Sempre que chove a rua enche.Mas a água nunca havia invadido a minha casa (que fica no térreo).O máximo que havia acontecido foi queda de energia.Mas dessa vez,infelizmente,foi diferente.No dia 5,dia da chuva e véspera do meu aniversário eu estava na faculdade.Tive aula o dia todo.Às 17:00 saí do I.F.C.S e ia em direção à Uerj para o curso preparatório.No caminho para o ponto de ônibus, começa a chover.Quando o ônibus foi se aproximando da minha casa comecei a pensar se deveria ou não ir para o curso na uerj,afinal,quando a rua enche fica impossível de entrar em casa.Pensei "Se a chuva apertar,eu desço aqui".Como se fosse uma resposta divina, a chuva engrossou e eu decidi descer e ir pra casa.Nos dois minutos que eu levei do ponto de ônibus até minha casa,a rua encheu.Cheguei em casa molhada e cansada,mas pensei que meu problema com a chuva havia acabado ali.Ledo engano.
Como a chuva havia se transformado em um dilúvio,a nossa diarista teve que dormir aqui em casa.Passamos a noite assistindo televisão,rindo e conversando.Quando a novela acabou,resolvemos ir dormir.Então,no meio da madrugada minha mãe nos acorda aos gritos.Primeiro pensei que outra barata havia aparecido (poucas horas antes,de novo graças a chuva,um monte de baratas invadiu a área de serviço),mas não.O que houve foi que a água havia invadido a casa.Olhei para o chão do meu quarto e não consegui acreditar no que eu estava vendo.Se a água estivesse um pouco mais alta,poderia ter afogado a Damiana,nossa diarista que dormia na cama de baixo.Tivemos que sair imediatamente.Pisando naquela água imunda,fomos para o terceiro andar,onde uma vizinha nos acolheu.Minha mãe entrou em pânico e começou a chorar.Eu ainda não conseguia digerir a informação e ter alguma reação.Quando comecei a pensar em tudo que seria perdido,desde coisas de valor material à coisas de valor afetivo (como os presentes do meu noivo,as fotos,o que havia sobrado das coisas do meu avô) eu entrei em desespero.Meu pai se dividia entre tentar acalmar a mim e a minha mãe e tentar tirar a água de dentro de casa junto com Damiana e os nossos vizinhos (que foram muito solidários).Eu não consegui dormir direito durante o resto da noite.O máximo que consegui foi cochilar no sofá da vizinha.Num dos períodos em que eu estava acordada vim para casa pra tentar retirar meus bichos de pelúcia,o mp4 e outras coisas que eu pudesse carregar.No fim da madrugada tentei ligar para o Johannes,mas ele não estava com o celular.Eu via o sol nascer e a chuva não diminuir.Finalmente,quando a casa já estava livre da água,pude voltar.O cenário era desolador.Nossa casa,comprada com tanto esforço e decorada com tanto capricho parecia um campo de batalha.As paredes manchadas,as portas estragadas,a lama por todos os cantos.Olhávamos a cena e não sabíamos o que fazer.Começamos por tentar limpar,tirando a lama.Todos estavámos exaustos.Fui dormir um pouco, após algum tempo.Acordei na esperança de que tudo tivesse sido apenas um pesadelo,mas a realidade não pôde ser negada.Passamos o dia todo tirando a lama,limpando os móveis e jogando coisas fora.Perdi livros,textos da faculdade,a câmera digital,o disckman,o carregador de pilhas e sabe Deus o quê mais.Ainda não tivemos tempo/coragem de contabilizar todos os prejuízos.Em compensação,tiramos fotos de todo o desastre para processar a prefeitura.Não podemos ser nós a arcamos com o prejuízo.Não pudemos chamar ninguém para nos ajudar porque todos estavam ilhados.Não pudemos fazer comida decente então comemos miojo e pão com hambúrger e mortadela.Agora estamos sem água.Estou suja de lama,cansada e fedendo.Temos água para beber porque compramos um garrafão de água mineral.Se comparamos a nossa situação com a de toda essa gente que perdeu casa e família estamos bem.Mas a indignação não me deixa.Porque eu sei que isso não precisava ter acontecido.Porque eu sei que isso não deveria ter acontecido.Aconteceu porque nossos políticos não tem um pingo de amor ao próximo ou vergonha na cara.Espero sinceramente que a água tenha alagado as casas dos senhores Eduardo Paes e Sérgio Cabral.Se não,que tenham tido qualquer outro tipo de prejuízo.Eu fico pensando no que faríamos se meu avô ainda estivesse aqui.Não gosto nem de pensar.A minha festa de aniversário que seria aqui,no dia 10,foi cancelada.Não sei quando farei outra.Agora a noite o técnico da net veio e botou a tv a cabo,o telefone e a internet para funcionar.Isso já nos tranqüilizou um pouco,mas ainda falta muito a fazer.Talvez amanhã eu vá a faculdade (pois não pude ir nos últimos dois dias).Vai ser bom para distrair a cabeça.Se a coisa continuar assim,quero só ver como será a copa e as olimpíadas.Estamos pensando em nos mudar daqui,mas ainda não decidimos nada ou sabemos se é possível.Por hora estamos pensando em como evitar que a água entre em casa de novo (a água invadiu também por conta do síndico que não acreditou nas advertências de uma vizinha nossa e não comprou uma bareira).Pra Uerj eu não vou mais,não quero correr o risco de ficar presa lá.Talvez eu vá pra casa de algum parente ou amigo enquanto a casa está essa zona.Não vou postar as fotos aqui porque elas foram tiradas com o celular da Damiana e ela está com ele agora na casa dela em Belford Roxo.Amanhã as coisas estarão melhores,certeza.Agora eu só quero ler meus sites e relaxar.Tentar esquecer por um minuto que isso tudo aconteceu.Esquecer o medo.Espero que todos que me leem estejam bem.Não se preocupem com a nossa saúde.A física está bem,a mental vai ficar.Beijos e fiquem em paz.
Eu já comentei aqui,o quanto me ferve o sangue ouvir grosserias na rua.A novidade agora,é que eu resolvi reagir.Cansei de ter que mudar de calçada,andar de cabeça baixa ou fingir que não ouvi.Nada disso surtiu efeito.Passei então a mostrar o dedo do meio.Sei que muitas garotas fazem isso,resolvi aderir pra ver como era.Muitos "homens" olham surpresos,outros tantos debocham,mas pelo menos fica uma sensação de revide.A questão é a seguinte:Eu não sei se isso pode ser perigoso.Não sei se algum deles pode tentar fazer alguma coisa comigo depois disso.Não sei se caso tentassem alguém me ajudaria.Não sei se eu saberia me defender numa situação dessas.Postei sobre isso numa comunidade feminista no orkut e mandei um e-mail pra uma tia,mas até agora ninguém respondeu.
Para mim,o assédio nas ruas é uma das piores formas de violência contra as mulheres.É um combo:Cerceia o direito de ir e vir,invade o terreno pessoal,ameaça,objetifica e animaliza.E pior,se traveste de boa ação.É a humilhação contra a qual quase ninguém se opõe.Se vocês pararem para pensar,não encontrarão paralelo na violência contra nenhuma outra minoria política.
Me corrói ter que passar por isso todo dia.Me deprime não saber como reagir.Me enlouquece não saber como fazer parar.Não saber se um dia vai parar.
Eu queria pelo menos um dia não ser tratada como cidadã de segunda categoria.
No fim das contas é aquilo que eu falo:Nunca as mulheres ganham.Se eu reajo pode haver retaliação.Se eu não reajo eles continuam com isso ou fazem pior.Se eu não posso ganhar,alguém me diz,por favor,onde eu perco menos.
Obs:Post confuso,melancólico,irritado,etc.Como é a regra por aqui.Se quiserem ajudar deixem suas experiências e opiniões nos comentários.
Obs 2:Evidentemente,alguém já explicou isso bem melhor que eu:Aqui
Então que tivemos um ciclone antiontem (nem sei se foi ciclone mesmo,mas estou com preguiça de checar).O caso é que choveu,choveu e daí choveu mais.E no meu querido bairro,quando chove alaga.Até aí já estou acostumada.Mas dessa vez a água invadiu o prédio.E bom,eu moro no primeiro andar.Deu medo.Pela primeira vez achei que a água pudesse invadir meu quarto.Na hora da chuva eu estava papeando com o Schatz e nem me dei conta da gravidade da coisa,até que meu pai veio e abriu a janela.Um rio,era o que tinha do lado de fora.Coisa que eu só tinha visto em reportagem sobre enchente em São Paulo.Botei a webcam no notebook e mostrei a cena pro Johannes.Minha mãe disse que eu ia espantá-lo de vez.Mas não,ele só ficou (bem) preocupado comigo (awww
).
Uma amiga da minha mãe estava aqui em casa com a gente,veio nos confortar por causa da perda do vovô.Ela não pretendia dormir aqui,mas aí começou a chover e a única maneira de voltar pra casa seria de barco,e mesmo assim corria o risco do barco naufragar.Então mamãe e eu convencemos ela a ficar.Aí começa a parte cômica da coisa.Porque felizmente,a coisa foi mais cômica do que trágica.
Pois bem,essa senhora tem pavor do escuro.Isso mesmo,51 anos e não dorme de luz apagada.Aí né?Tinha que acontecer.Faltou luz.Eu lembro que eu estava comentando com meu pai:"Pô,nos outros dias choveu menos e faltou luz*,agora tá esse temporal e a luz taí!",ao que ele respondeu:"Nem fala que senão dá azar!".Minutos depois acabou a energia.E como Murphy não brinca em serviço,a energia foi-se justo na hora em que eu estava escrevendo o texto sobre o meu avô,que eu óbvio,não tinha salvo.#shameonme.
Aí que a mulher entra em desespero.Quando eu falo "desespero",é desespero mesmo.Ela estava caindo de sono mas não conseguia dormir.Aí acendemos velas (depois de ter que ficar acendendo o isquiero pra achar as velas).Sentamos todos na sala e ficamos conversando.Como acontece sempre quando falta luz,o assunto foi invariavelmente,a falta da dita-cuja.Então chegou a hora em que não deu mais pra aguentar.A luz não ia voltar mesmo,tínhamos que aceitar e ir dormir.Minha mãe resolveu ir dormir com essa amiga dela no meu quarto.Elas e as velas,evidentemente.Fui dormir com meu pai no quarto deles.Suando feito uma porca.Porque né?Sem luz,sem ventilador.Aí,quando eu estou quase pegando no sono,naquele momento meio lá-meio cá,minha mãe aparece.
-Vulto (vulgo mamãe):Minha filha,vai dormir lá com a Sônia.
-Eu: *Grunhido irritado*
Levantei,peguei meu travesseiro ( ou o que quer que fosse que tivessem me dado) e fui,meio puta de ter que dormir na cama de baixo,que nem cama de verdade é,visto que não tem colchão.Mas como era pela Sônia (que é uma pessoa muito legal) eu aceitei.Me joguei lá e tentei dormir.Mas não dava,por que elas duas não calavam a boca.Uma falando que não conseguiria dormir,a outra mandando ela dormir.Uma pedindo pra deixar as velas acesas,a outra alegando que isso iria acabar incendiando a casa.E eu lá.Até que o sono venceu e eu fui pra terra dos sonhos.Aí a luz volta.Bem na minha cara.E para completar,a Sônia ainda grita no meu ouvidinho:"AHHH A LUZ VOLTOU!
".Como se eu não tivesse notado.Enfim,luz do quarto apagada,luz do corredor acesa e ventilador devidamente ligado,dormi de novo.Até que...
*Barulho de avião se espatifando no chão*
Acordo assustada,pensando no que MAIS poderia estar acontecendo.Vejo minha mãe na porta do quarto com a amiga,ambas assustadas e falando,falando.Era o vídeo-cassete (sim,ainda temos isso) que tinha caído em cima da prateleira e agora estavam ambos no chão.É claro que tudo que estava na prateleira voou longe.O que houve foi que a Sônia esbarrou no suporte do vídeo e quando ela deu as costas,o troço caiu.Resolvi ligar o foda-se e voltar a dormir.Horas depois (sem mais interrupções) eu acordei.Pouco tempo depois minha mãe telefona e pede pra eu e meu pai irmos encontrá-la num restaurante,porque ela estava cansada do enterro,a casa estava uma zona e ela não queria cozinhar (com razão).Fomos,comemos,bebemos,blá blá blá.Mas uma hora a gente tinha que voltar.E voltamos (pelo caminho todo enlameado,como naquelas fotos de tragédia asiáticas).E eu vi meu quarto.Juro,me deu uma agonia.Estava TÃO zoneado que eu não fazia idéia de por onde começar a arrumar.Enfim,respirei fundo e comecei.Agora está habitável.Amanhã vamos correr atrás de alguém que bote a prateleira no lugar e conserte o vídeo (se estiver quebrado).
Infelizmente,algumas pessoas não tiveram tanta sorte quanto nós.Enquanto voltávamos do restaurante vimos alguns comerciantes botando pra fora a mercadoria estragada pela água.E ainda antiontem a gente soube de gente tentando resgatar os carros da correnteza.Fora os mendigos e gente que mora em área de risco.
Enfim,pelo menos deu pra rir um pouco do ocorrido.
*Agora é moda por aqui faltar luz quando hoje.#quartomundofeelings.
Meu avô morreu ontem de manhã.Estou triste,óbvio.Mas eu já esperava que isso fosse acontecer,então a dor agora não é tão violenta.Os momentos de maior sofrimento foram enquanto ele ainda estava no hospital.De certa forma,eu fico feliz que ele tenha partido.Agora ele está em paz,ao lado da esposa dele.Agora não tem mais cirurgia,aparelhos,nada.Não teve velório.Ele não gostava e minha mãe também não quis.Disse que nós já velamos ele durante meses no hospital.Está sendo enterrado agora.Eu fiquei na dúvida se iria ou não.Fiquei pensando em dar um último adeus,mas eu já havia feito isso no CTI.No fim das contas dispensei vê-lo no caixão.Prefiro guardar na minha memória as lembranças de quando ele estava nos seus bons momentos.É claro que eu gostaria que ele tivesse ficado mais tempo comigo.Mas eu sei que o tempo que passamos juntos foi da melhor qualidade.E sei que se ele sobrevivesse não teria qualidade de vida nenhuma.Eu o amava demais para querer isso.Nunca vou esquecê-lo.Mas agora o que me toca é seguir com a minha vida.Que fiquemos os dois em paz.Tchau voinho.
Este é um tema que me entristece,mas mesmo assim acho importante falar dele.Desde que eu nasci,me lembro de ter sido patriota pouquíssimas vezes.Sempre tive a impressão de destoar da paisagem.Eu simplesmente não me identifico com o arquétipo do brasileiro.Tentaram muitas vezes despertar em mim esse sentimento,mas ele só durava até eu botar os neurônios para funcionar.
O porquê de eu não gostar do Brasil?
Bom,eu não consigo me identificar com uma população que reclama que os políticos são corruptos,mas na primeira oportunidade tentam subornar o policial.Eu não consigo me identificar com um povo que reclama da má qualidade do atendimento numa loja mas continua a comprar nela.Eu não consigo me identificar com um povo que não tem a mínima idéia de como é a cultura dos seus países vizinhos,que reelege ladrões.Que reclama da qualidade do ensino,mas ao invés de comprar um livro para o filho,compra um jogo violento.Eu não consigo me identificar com um povo que não tem memória,que dá audiência para uma emissora que comprovadamente apoiou o regime militar,que só reclama na fila do banco,mas na hora de votar, vota no candidato mais bonito,ou no que deu uma dentadura em troca dos votos.Eu não consigo me identificar com uma população que reclama do imperialismo ianque,mas cogita invadir a Bolívia quando essa exige pagamento justo pelo próprio gás,eu não consigo me identificar com uma população que reclama quando o governo copia uma boa lei estrangeira,mas não se incomoda em importar o lixo cultural de outros países.Que diz que não gosta de política por isso elege qualquer um,que diz que é a favor da democracia mas vota contra a legalização do aborto.Que diz que é solidária por que compra uma balinha da menininha do farol,sem pensar em como a garotinha está sendo explorada.Eu não consigo me identificar com uma população que tem uma mentalidade colonial,que acha que só porque a pessoa tem dinheiro ela virou Deus,eu não consigo sentir orgulho de uma país,onde o imperador declarou a independência montado numa mula,eu não consigo sentir orgulho de uma país que nem sequer sabe seu nome completo,onde metade da população não sabe localizar a nação no mapa,onde as atrações televisivas que dão mais audiência são as que tratam de sexo de forma vulgar,onde a intolerãncia religiosa só faz crescer,onde as pessoas tem que andar rastejando em casa com medo das balas perdidas,onde os repelentes contra insetos viraram item de primeiro necessidade pois nem a população nem o governo fazem nada para frear a Dengue.Eu não consigo me orgulhar de um país que elege um policial sangüinário como seu herói,onde o exemplo de cultura popular é o Funk e o Axé,um país onde nem os direitos mais elementares da população são respeitados,onde nem os pontos turísticos são bem cuidados,e principalmente,e pior de tudo:Um país onde A POPULAÇÃO NÃO FAZ NADA PARA MUDAR ESSE QUADRO!
O brasileiro não corresponde a nenhuma característica positiva que se atribui,não é solidário,só fica feliz quando está bêbado,e também não é pacífico.Todo o nacionalismo brasileiro se baseia em fatos mentirosos,a História foi e é manipulada para sustentar esse nacionalismo,que aliás só se manifesta no esportes,ou quando uma desavisada como eu resolve dizer que não é nacionalista.
Não tem como ser patriota assim.