

BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, MARACANA, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, French, Informática e Internet, Livros, Música
MSN - princesa_mestica@hotmail.com
As mulheres estão sendo plastificadas em massa. Estão se tornando barbies ambulantes. Estão ficando a cada dia que passa, menos humanas. Por que seres humanos não são de plástico, seres humanos emitem odores,se movimentam,envelhecem,carregam em si as marcas da vida que levaram. E as mulheres são forçadas a fugir de tudo isso. Pense nas imagens que você vê de mulheres nas fotografias, nos filmes, etc. Elas parecem reais?
Eu lembro que há pouco tempo eu estava vendo um filme qualquer, e num dado momento tinha uma cena de sexo. No final do ato, a moça de levantava e andava pelo quarto. E apareciam suas axilas e sua virilha, sem depilação. Enquanto ela respirava, eu podia ver suas vértebras. E eu achei estranho. Achei estranho ver uma mulher real num filme. Assim como eu acho estranho ver mulheres reais todos os dias na rua. Por que elas contrastam grandemente com as imagens de bonecas infláveis vendidas pela mídia. Imagens de bonecas que são vendidas aos pedaços. A boca da Angelina Jolie, a bunda da mulher melancia, etc. Tudo como em um açougue. Nunca uma mulher completa, jamais uma mulher real.
Eu sei que como eu, muitas pessoas estranham quando encontram uma mulher humana,se assustam até. Sei que as mulheres, em particular, se assustam quando observam o próprio corpo. Por que ele é diferente dos corpos padronizados vendidos pelas revistas “100 maneiras de conquistar seu homem”. Acho que nos assustamos, por que vemos no espelho corpos habitados. Diferentes daquelas cascas ocas mostradas freqüentemente para nós. Nos assustamos,por que quando olhamos nosso corpos no espelho,eles existem para nós.E só para nós.Não são objetos de exposição.Talvez seja isso que as mulheres precisem lembrar.Que os corpos são nossos.Nós temos direito a eles.Eles nos pertencem.Pensem,se ninguém pudesse ver seu corpo,você ainda assim o acharia feio?
Uma pergunta melhor: Se não fôssemos tão bombardeadas com imagens de corpos artificiais, acharíamos os nossos feios?
Eu me fiz essas perguntas e minha resposta foi “Não”.
Me perguntar essas coisas foi o primeiro passo para aceitar meu corpo do jeito que ele é:Belo.
Este texto é dedicado à Gabi, que tem um corpo lindo, embora ela não acredite.
Mais Sobre O "Love Your Body Day" Em:
A vida, a gente gostando ou não, sempre nos ensina muita coisa. Hoje eu resolvi vir aqui e compartilhar com vocês algumas coisinhas que eu aprendi ao longo desses 19 anos.
1 – Nunca, JAMAIS, emprestar coisas para alguém que não seja muito íntimo.
Essa lição eu aprendi no início do ano passado,quando num dia comum,eu resolvi levar o jornal para a faculdade.
O jornal daquele dia veio com uma revista dentro. Normalmente a revista era bem chata, mas nesse dia em especial tinha vindo com um artigo fantástico. Sabe aquelas raras ocasiões onde alguém consegue expressar um sentimento seu como se te conhecesse? Então. Era assim o artigo. E eu estou lá, lendo-o,quando um colega pede a revista emprestada. Achei que não teria nada de mais emprestar e quando terminei de ler,passei pra ele.Deixei a revista com ele o dia todo.No final de todas as aulas,quando eu fui pedir de volta,sabem o que ele me disse?
- “Ué, eu não te devolvi não?”
-“Não” – Eu disse, já temendo pelo pior.
-“Pô, eu emprestei pra fulana, deve estar com ela.”
E eu lá, com cara de tacho, sem saber o que dizer. Ele prossegue.
-“Pô, foi mal, eu vou te trazer outra amanhã”.
Acho que eu nem preciso dizer que o amanhã nunca chegou né? O Energúmeno me apareceu, um mês depois, com uma revista que não era a do dia em que saiu o artigo.
Nunca mais falei com ele. E agora tomo muito cuidado ao emprestar minhas coisas. Qualquer coisa. Pode ser até uma borracha. Se eu não confio na pessoa digo que esqueci em casa. Se a pessoa pedir o objeto enquanto eu estou com ele na mão, digo que é da minha mãe/do meu primo/do papagaio do vizinho/etc. e que sem autorização do dono não posso emprestar.
2 – Não discutir com idiotas.
Essa eu ainda estou tentando internalizar. É difícil, mas eu sei que um dia eu consigo.
Alguns de vocês vão dizer: “Mas se a gente não discute com as pessoas, como é que elas vão poder mudar de opinião?”. Pois então meus queridos. Pessoas idiotas não mudam de opinião. Elas são como portas. Você discute com a sua porta?Então, é o mesmo princípio. Eu aprendi que só vale à pena discutir com quem está minimamente disposto a ouvir. Com os outros não vale a pena eu gastar o meu latim.
“Mas tia Raiza, e quando os idiotas insistem em discutir com a gente?”
Concordem com tudo. Estressa na hora, mas é a melhor solução a longo prazo. Uma vez que o idiota tiver certeza de que te convenceu a morar em idiotalândia, ele pára de te encher o saco.
3 – Trabalhe Sozinh@ Sempre Que Possível
Quanto mais dividido for o trabalho, maiores são as chances de que alguma merda aconteça. Ainda que você não saiba fazer o que precisa ser feito, tente antes de pedir ajuda. É bem capaz de você se estressar menos fazendo sozinh@ uma coisa que vai dar errado do que fazendo em grupo uma coisa que vai dar certo.
Reparem que nem tudo que eu aprendi me fez necessariamente uma pessoa melhor.Mas que foi útil foi.
Eu ainda não vi “Mar Adentro” e também não tem nenhum caso recente sobre esse tema sendo comentado na mídia. O assunto simplesmente me veio à cabeça e eu resolvi comentá-lo. Vou me posicionar logo de início. Eu sou a favor da eutanásia. Eu creio,ao contrário dos religiosos,que a vida é nossa e podemos fazer com ela o que bem entendermos, desde que não prejudiquemos outras pessoas. Para mim, a vida é um direito, não uma obrigação.
E eu também preciso dizer que ficar presa a uma cama, dependendo dos outros para tudo, não é o que eu considero vida. Isso é uma sobrevida. Entre sobreviver e viver existe uma diferença gritante. Quando nós vivemos, fazemos isso com entusiasmo. Mesmo que não estejamos sempre bem-humorad@s. Quando vivemos estamos existindo por que queremos, não por obrigação.
Pensem bem e sejam honest@s: Se fossem vocês que estivessem desenganad@s pel@s médic@s, sendo submetidos à tratamentos dolorosos que não dão resultados,vocês agüentariam ficar esperando um milagre?
Se não, por que submeter os outros à isso?
Eu sei que se fosse comigo, eu iria preferir morrer. E digo isso sem um pingo de culpa.
“Mas e se fosse um parente seu que quisesse morrer?” vocês vão perguntar. Eu apoiaria. Com toda a dor no coração, mas eu apoiaria. Eu iria querer vê-l@ bem, ainda que não estivesse mais perto de mim.
Isso me lembra de fazer uma ressalva: Eu só sou a favor da eutanásia quando @ paciente está lúcid@ e pode decidir o seu futuro. Quando a pessoa está em coma, por exemplo, por mais que ela possa estar sofrendo, eu acho que ela deve continuar recebendo tratamento. Não me sinto bem com a idéia de que alguém vai tirar aquela vida sem que a pessoa possa se defender.
Em resumo, o que eu estou tentando dizer desde o começo, é que a morte não é a pior coisa que pode acontecer a alguém. Falta de solidariedade é bem pior.
Eu devo ter cara de idiota. É a única explicação. Um dia ainda vou tatuar “Imbecil” na minha testa. Assim as pessoas já ficam de sobreaviso e eu nunca me esqueço. Por que só sendo muito imbecil mesmo pra chegar sempre na hora nos encontros e ficar esperando meia-hora por gente que não avisa que vai se atrasar e depois chega com a maior cara lavada e simplesmente pede desculpas. Ou nem pede. Ou simplesmente não vai ao encontro. Que foi o que aconteceu hoje. Reparem só na moral que eu tenho com os outros: A pessoa não me vê há anos e quando marcamos um encontro me deixa lá plantada.E nem fui eu quem marcou o encontro.Ela que insistiu pra me ver.E fez chantagem emocional e o cacete.”Você não liga pra mim,você já me esqueceu,e blá blá blá”.Pra vocês terem idéia do grau da minha burrice,eu ainda pensei em comprar um presente pra criatura.E ainda fui procurar um orelhão dentro do shopping pra não ter que ligar a cobrar.E eu nem queria ir encontrá-la.Eu estou morta de cansaço.A única coisa que eu queria fazer era voltar pra casa e dormir.Mas eu fui.Gastei dinheiro na passagem e no lanche,por que eu tive que comer no shopping,já que já tinha passado da hora do almoço.Trouxa.É isso que eu sou.Eu nem sei se sinto mais raiva das pessoas ou de mim.Por que isso acontece freqüentemente.Isso da pessoa sempre chegar muito depois do combinado.E não telefonar.E não atender o telefone.Ou desmarcar encontros agendados com semanas de antecedência e eu só ser avisada quando eu ligo pra pessoa,na véspera.Mas tudo bem.Agora eu aprendi.Por que, né? Um dia a gente cansa. A partir de agora, só vou ter consideração com quem tem comigo. Anotem aí pessoas: Hoje morreu uma otária.
“Mas,porque só na infância?” Por que,minhas queridas,se eu fosse contar todas as situações traumáticas pelas quais eu já passei na vida,a gente não saía mais daqui.É preciso fazer um recorte,como diz o pessoal lá do I.F.C.S. Então eu escolhi a infância,que eu creio ser a parte das nossas vidas onde os traumas são mais esdrúxulos.Então vamos lá:
Primeiro Caso: A Doação de Brinquedos No Dia de São Cosme & Damião
Acho que foi a proximidade da data (domingo passado) que me fez lembrar dessa história.
Eu não sei como é aí onde vocês moram,mas aqui no Rio algumas pessoas costumam (ou costumavam,o que é mais provável) dar,além dos doces, brinquedos para as crianças.O que óbvio,deixava a criançada toda,inclusive eu,elétrica.Então, quando uma vizinha minha (que tinha cinco filhos) se ofereceu para me levar junto com as crianças dela para pegar doces e brinquedos,eu aceitei na hora.Passamos o dia inteiro percorrendo o bairro atrás das guloseimas,até que chegou a hora dos brinquedos.Essa vizinha disse que sabia de um lugar onde dariam brinquedos pro pessoal.Ela disse que era num centro umbandista/espírita e que teríamos que assistir toda a sessão antes de pegarmos os brinquedos.Não gostei muito de saber disso não,mas achei que valeria a pena.Entramos e assistimos as rezas lá.Depois de um longo tempo,em que os sacerdotes esfumaçaram a sala toda ( o que eu achei,na época,uma coisa um tanto quanto bizarra),era chegada a hora da recompensa.Fomos para uma espécie de palquinho que havia em uma das salas do lugar,onde um grupo de idosos fantasiados de crianças (Não estavam vestidos de crianças não,estavam fantasiados mesmo.Sabem aquelas caricaturas de criança? Menino com calça curta e suspensório e menina de vestido e trançinhas? Pois é.Era isso.Na hora eu pensei que mais constrangedor que aquilo,seria impossível.Ledo engano) estava rodeado de brinquedos.Fui até lá e pedi alguns.Aí veio a punhalada.Eu descobri que eles não estavam dando brinquedos.Era PARA NÓS DARMOS as coisas.Minha vizinha,aparentemente,tinha entendido errado o espírito da coisa.Todavia,como eu sempre fui cara de pau,e não estava disposta à,depois de toda aquela fumaça de cachimbo da paz na cara,sair de lá no prejuízo,eu fiquei enchendo o saco de uma velhinha (muito da mal encarada) para que ela me desse alguma coisa.Qualquer coisa.No fim,consegui que ela me desse UMA bolinha de gude.Depois de me dizer com cara feia que eu não era menino.O pior é que nem acaba aí.Quando eu,a vizinha,e a prole dela chegamos à vila onde morávamos,ela foi dividir os doces e deu a maior parte pros filhos dela,sendo que eu é que tinha conseguido a maioria.Coincidência ou não,essa foi a última vez em que corri atrás de doces.
Segundo Caso: A Maluca do Condomínio
Esse é anterior ao primeiro. Aconteceu quando eu ainda morava num condomínio. A história começa quando eu, sabe Deus por que,decidi ir colocar umas cruzinhas,que eu toscamente havia feito,numa grutinha de Nossa Senhora que tinha perto da minha casa.Se vocês me perguntarem porquê eu fiz isso,eu,sinceramente,não saberei responder.Acho que foi por que o lugar era fechado,e entrar lá devia ter um quê de aventura,sei lá.Por que já na época eu não acreditava em Nossa Senhora,então a explicação deve ser essa mesmo.Mas,voltando.Fiz o meu lindcho artesanato e lá fui eu oferecer à imagem da santa na grutinha.Tudo transcorreu bem na ida.Mas,na volta...
Quando eu estava voltando para o meu lar doce lar,uma menina me embarreirou e me impediu de continuar andando.Disse que eu só poderia seguir o meu caminho se eu adivinhasse o que caía em pé e corria deitado.Eu disse que não sabia.Ela disse: “É o Balão!” e rasgou minha blusa.Eu fiquei chocada,comecei a chorar e saí correndo de volta pra casa.Segundo meu irmão,eu fui correndo com as mãos tapando os seios inexistentes até chegar ao apartamento.Lá chegando,contei tudo pra minha mãe,que foi atrás da mãe da garota.Depois minha mãe volta e me explica que a menina tinha problemas mentais.Agora eu entendo (afinal,só tendo problema pra dizer que balão caía em pé e corria deitado) e perdôo,mas na época fiquei puta com a explicação.Eu era daquelas que pensava “É doida,mas não rasga dinheiro!”.No fim das contas,nunca mais encontrei com a garota ( que eu nem conhecia) e segui minha vidinha normalmente.Sem mais oferendas a santos cristãos.
Terceiro e último caso: Xixi nas calças
Esse é clássico. Felizmente, pelo que eu me lembro, só me aconteceu uma vez. Em compensação, aconteceu no pior lugar possível: na escola. Tudo começou quando eu pedi à professora para ir ao banheiro. Ela deixou e lá fui eu tirar água do joelho. Eu não sei por que, mas pouquíssimo tempo depois me deu vontade de ir de novo. Repeti o pedido. Ela não gostou muito: “De novo? Mas você acabou de ir!”. ”Tá bom” Falei. E fiquei na sala mesmo. Devia ter ligado o foda-se e ter ido mijar logo.
Um longo tempo depois,quando eu achei que já tinha se passado tempo suficiente desde a minha última ida ao quarto especial,e quando eu não estava mais agüentando, pedi pra sair novamente. Ela deixou e eu corri para o banheiro. Mas já era tarde demais. Foi eu abaixar o short do uniforme que aquela aguaceira começou a cair.Molhei até os sapatos.Então eu me vi diante de um dilema:O que fazer agora?
Se eu voltasse pra sala todo mundo ia saber do ocorrido e eu ia ser alvo do escrutínio popular.E como,à época,eu já sabia que criança é um bicho cruel,eu resolvi ficar lá pelo banheiro mesmo.O detalhe,é que faltavam horas para a aula acabar.E eu fiquei por lá,presa no banheiro.Nesse meio tempo,apareceu uma servente,que fez aquela clássica pergunta “Tá tudo bem aí?”.Sim senhora,eu estou toda mijada mas tudo segue na mais perfeita ordem!
Óbvio que eu não disse isso assim. Só falei “Tá tudo bem”. Depois disso apareceu minha professora, que foi interada pela servente do ocorrido. E eu lá sentada na privada.
E assim fiquei até o dia de aula acabar.
Quando a professora formou aquelas duas filinhas (Que, aliás, são abomináveis; isso de se separar entre menino e menina é lamentável. Mas isso é assunto pra outro post.) para levar a criançada pra porta da escola, eu pude ouvir meus coleguinhas comentando: “Será que ela caiu no vaso?”, “Acho que ela tá com caganeira!”, etc. Quando eles finalmente deixaram o caminho livre, eu corri pra minha sala, peguei minhas tralhas, e com a mochila tampando a bunda, fui embora pra casa.
Ressuscitando a série “Causos Antigos”,hoje resolvi vir falar sobre os assaltos e/ou roubos e/ou furtos que eu já presenciei.Como moradora do Rio de Janeiro,nem preciso dizer que são muitas as estórias.Na verdade,tem uma acontecendo agorinha mesmo (foi esse causo que me inspirou a escrever o post),um pivete roubou o celular de um rapaz e a vítima saiu correndo atrás do ladrão,gritando o famoso “Pega ladrão,pega ladrão” aí um vizinho meu,meio atordoado com a gritaria acabou pegando o primeiro homem que viu correr.A vítima.Agora o ladrãozinho está correndo pelo quarteirão e dando olé nos perseguidores.Mas deixemos esse caso de lado e passemos para os antigos.
Primeiro assalto presenciado:
Um belo dia meu pai me pediu para ir ao bar e comprar cerveja pra ele.Me deu uma nota de cinqüenta e lá fui eu comprar a mardita.Chegando no bar encontro dois homens parados na entrada e outros dois caras gigantes de frente para o balcão.Entro no bar e fico esperando a minha vez atrás dos caras.Como eles não estavam falando nada e o dono do boteco já estava colocando alguns produtos em cima do balcão,pensei que eles já tivesse feito o pedido.Me posicionei no meio dos dois,esperando que eles se afastassem um pouco e me dessem espaço pra eu falar com o dono do botequim.Não moveram um músculo.E eu lá pensando: “Porra,que caras mal-educados!”.Até aí,normal,não me abalei muito. De repente eu olho pra baixo e o que eu vejo? Um revólver na mão de um dos caras. Aí caiu a ficha. Eu estava presenciando aquela situação tão conhecida de todos os brasileiros: o assalto. A primeira coisa que eu fiz, instintivamente, foi amassar o dinheiro na minha mão para que os bandidos não pudessem vê-lo. Não me entendam mal, se os caras tivesse visto e quisessem me roubar,eu teria dado a grana.Agora,dar de graça seria burrice.Na época mamãe ficou espantada com o meu grau de apego ao vil metal.Hoje,ela já se acostumou.Eu acho.
O que eu vi,minhas amigas,foi surreal.Roubaram até miojo do boteco.O que me faz pensar que realmente existe gente medíocre em qualquer ramo.
Pra minha sorte,os bandidos estavam pouco se lixando pra minha presença ali,surrupiaram o que tinham que surrupiar e foram-se embora.
Quando eles saíram,eu ainda pensei em comprar a cerveja do velho,mas não deu.O dono da birosca desmaiou.Aí eu voltei pra casa.Mas antes deu tempo de ver os pinguços voltando pro bar e tentando acordar e acalmar o proprietário (afinal,atendente desacordado não vende cachaça).
Segundo assalto presenciado:
Eu já devo ter comentado aqui,que quando eu estudava Letras lá no Fundão eu precisava pegar uma carroça de número 663 pra chegar até lá.Pois eu vou dizer uma coisa pra vocês.Acho que mais vergonhoso do que assaltar quem quer que seja,é assaltar @s passageir@s daquele pesadelo ambulante.Quem é obrigad@ a suportar aquele desaforo sobre rodas deveria ser poupad@ de qualquer outro tipo de desgraça.Evidentemente,contudo,os assaltantes dessa cidade não tem os mesmos princípios morais que eu.
Então,num não tão belo dia,lá estava eu,morrendo de sono e praguejando por depender daquela coisa vulgarmente chamada de ônibus para voltar pra casa,quando,depois de uma hora de espera (pra vocês terem noção de como a coisa era),o desgraçado passa.Entro no ônibus e sento naquele banco solitário atrás do motorista. Na maior parte das vezes isso não era uma boa opção,pois os motoristas da linha tinham o mui educado hábito de peidar durante o trajeto.Mas como nesse dia eu não tava de muito bom humor,e não tava querendo que nenhum velho fedido sentasse do meu lado,resolvi encarar.Foi graças a essa decisão que eu não fui assaltada (pela segunda vez).
Quando o ônibus estava quase saindo do campus,dois garotos entraram e se sentaram nos fundos.A viagem prosseguiu sem maiores sobressaltos até que o ônibus passou por uma passarela macabra dessas que tem lá na Av.Brasil.Nisso,os caras levantaram rápido e,berrando,exigiram que o motorista abrisse as portas.Foi aí que eu pude notar a arma por debaixo da camisa de um deles.O motorista abriu as portas e lá se foram mais dois bandidos continuar seu dia de trabalho.Aí,óbvio,começou o burburinho nos fundos do ônibus.As vítimas,meio chorando,meio rindo (pois é o.0) relatavam a violência sofrida.Uma garota contou que pegou todo o dinheiro que tinha na bolsa para dar a um dos bandidos,e que o meliante,muito soberbo,recusou as moedinhas.
Em seguida a confusão continuou, dessa vez era a contenda entre as vítimas do assalto, que queriam que o motorista as levassem para a delegacia, como manda a lei, e o motorista que queria seguir o caminho normal. No fim das contas,vitória do motorista.As vítimas desceram perto de uma delegacia e foram andando até lá.No resto do caminho,aqueles comentários de sempre “Eu logo vi que era assalto,tava escrito na cara deles”.Ahh os profetas post factum...
Terceiro assalto/Furto/Blá blá blá, Whiscas sachê presenciado:
Esse eu vou contar mais pra encher lingüiça, por que nem é tão interessante assim.
Aconteceu no I.F.C.S (Aliás,acho que caberia escrever um outro post só com as coisas bizarras que ocorrem lá...).Foi durante um intervalo qualquer de uma aula aí da vida.Uma menina que estava ouvindo seu Ipod resolveu ir tirar Xerox de não sei o quê, embrulhou o aparelhinho num saquinho plástico e botou dentro do estojo.Saiu.Quando voltou,inexplicavelmente,o troço não estava mais lá.O bizarro do caso é que eu não vi ninguém pegar o negócio.E era pra ter visto,por que eu estava sentada praticamente atrás dela.Até hoje,ninguém sabe,ninguém viu.A menina deu um pequeno escândalo,deu queixa na polícia,e ficou conhecida por uns tempos como menina do Ipod.O produto do furto nunca mais foi visto.O que me ensinou a desconfiar dos maconheiros hippies lá do prédio.Eles podem não ser tão lesados quanto parecem.Agora eu carrego a minha mochila comigo pra todos os cantos,ou deixo com alguém de muita confiança.
P.s: Não,Não sou eu a ladra do Ipod.
P.p.s: Até o fechamento desta edição,não tivemos notícias do pivete do Maracanã.
Escrevi o post anterior tão rápido que acabei esquecendo de contar um causo.E como o texto fez sucesso resolvi fazer a parte dois,na qual vou contar esse causo esquecido e mais um que aconteceu recentemente.
Primeiro,o caso esquecido.
Na minha antiga escola tinha um garoto que gostava de mim desde o primeiro ano. Ele nunca disse explicitamente, mas tava na cara. Nunca dei bola por que sempre o achei feio e chato (não era tão feio quanto o garoto do meu primeiro beijo, mas conseguia a proeza de ser mais chato que o dito-cujo). O “feio” não necessita de explicação, mas vou dizer por que ele era chato. Ele era metido à líder sindical. E era crente, daqueles bem carolas (nada contra crentes no geral, mas tem uns que Deus me livre). Vocês devem estar se perguntando então, porque diabos eu fiquei com ele. Bom, pelo mesmo motivo que eu fiquei com o feio e chato n° 1: Ele tava disponível, e eu não tava pegando ninguém. E nessa época ainda tava borocoxô por que o príncipe das trevas não me queria. E, verdade seja dita, ele era feio, chato, mas nem era de todo mau. Era cavalheiro, carregava minha mochila, me dava atenção e talz. E ele beijava bem. Fui eu quem deu o primeiro beijo dele (hoje eu compreendo o por quê...). E posso dizer que ele aprendeu rápido como se fazia o negócio. Ficamos juntos uma semana. Porque acabou? Por que eu pedi pra dar um chupão nele.Se qualquer um perguntar,ele vai jurar de pés juntos que o motivo não foi esse.Mas eu sei que foi por causa disso,eu não sou assim tão idiota.Ele terminou comigo poucas horas depois do malicioso pedido.E olha que eu pedi com jeitinho,não foi algo como “Posso babar seu cangote?” não.Foi uma coisa delicadinha,foi “Posso beijar seu pescoço?”.Na hora eu vi que ele ficou meio nervoso.Respondeu: “Depois”,mas o “Depois” nunca aconteceu.Quando ele veio terminar comigo,ele deu a desculpa de que era muito jovem para se casar (eu tinha dito uns dias antes que queria me casar antes dos vinte anos).Na hora eu fiquei com pena de dizer que não era com ele que eu queria casar.No fim achei melhor deixar quieto,ele tava terminando comigo mas não era por isso que eu ia tripudiar em cima dele.Quando ele terminou o discursinho dele,crente,crente que eu estava acreditando (Pior! Crente que eu estava ficando triste!) eu disse: “Tudo bem,eu só não gostaria que ficasse clima ruim entre a gente”.Ele me garantiu que não tinha chance disso acontecer.Há.Passou uma semana sem nem me dar bom-dia,o desgraçado.E eu nem tava ligando muito,o problema é que a gente tinha um trabalho pra fazer e eu tinha que ficar perseguindo o príncipe desencantado pra forçá-lo a ajudar em alguma coisa.E isso não era legal.Não é todo mundo que eu gosto de perseguir não.Só os bonitos que têm esse privilégio.Mas a história nem termina aí.Ele ficou meio arrasado com o fim da pegação (por que aquilo nem namoro era,e não era por que EU não quis,que fique bem claro),ficava se lamentando com as amigas e andando de cabeça baixa pelos cantos.Acho que ele ficou ainda mais decepcionado ao ver que eu não estava sentindo tanto quanto ele.Pior,que eu não estava sentindo nada.Ele achava que eu gostava dele,apesar deu nunca ter dito isso,e ter até dado a entender que não era bem por aí a coisa.Enquanto ainda estávamos nos pegando ele mandava mensagens pro meu celular todos os dias,me chamando de meu amor,e ressaltando o quanto estávamos felizes (é,assim mesmo no plural).Eu nunca respondia.Primeiro por que eu não sabia o que responder,e segundo por que meu celular nunca tinha crédito e eu não achava que valia a pena botar crédito no celular pra mandar mensagem pra alguém que dizia que não ia sair comigo aos sábados por que ia pra igreja.Tirando o fato relatado acima dele ser meio pudico (pra não dizer fresco) nós ainda discutíamos dia sim,outro também,por que ele tinha umas opiniões meio machistas e reacionárias.Mas eu nem sinto raiva dele,foi legalzinho enquanto durou.Mas ainda restam algumas linhas pra finalizar essa história.Logo depois que ele terminou comigo ele resolveu namorar com uma menina crente.Sabem? Aquele tipo de garota que nunca pediria um beijo vampírico pra ele.Pois bem,lá foi ele,crente,crente que namorava a própria Virgem Maria,quando a garota chega pra ele e diz que quer ficar com ele E com o namorado.Sim,senhoras e senhores,ela tinha um namorado.Aí o mundo dele caiu.Um dia eu ouvi ele desabafando sobre a situação com uma amiga.Ele tava embasbacado da menina crente ter coragem de ter tal atitude.Ele e a amiga.Ela até perguntou :”Ué,E. ela num é evangélica?”.Pois é.Bem-feito.Tomou bonito!
O segundo caso aconteceu recentemente.Estava eu chegando atrasada à faculdade,como de hábito.Aí quando eu estou entrando correndo pra pegar o elevador,vejo um garoto lindo na entrada.E garotos lindos no I.F.C.S são uma raridade.A maioria se veste como mendigos,deixem a barba crescer até ficar igual a do Bin Laden e cultivam verdadeiros ecossistemas nos cabelos.Então eu fiquei estarrecida quando encontrei o garoto.E ele não era simplesmente bonitinho não,era gato mesmo.Bonito,bem-vestido e perfumado.Eu simplesmente não acreditei quando vi.Ciente da singularidade da situação,resolvi ligar o foda-se pra aula e ficar ali paquerando o moleque.Um dado importante para a compreensão da história,é que ele sorriu pra mim quando eu passei.No meu mundo,isso significa que a pessoa está interessada.Por que,né,ele nunca tinha me visto ali,ia sorrir pra quê? Pra eu dar uma esmolinha pra ele? Mas voltemos à nossa historinha. Parei ao lado do menino, esperei ele terminar de telefonar e engatei um papo:
Eu: Oi, você estuda aqui?
Ele: Estudo, faço Ciências Sociais.
Eu: Legal, eu faço História, to no segundo período.
Ele: Eu to no segundo período também. Você é a primeira pessoa de História que eu conheço aqui. A gente já não se viu antes? (Vejam se isso não parece cantada...)
Eu: Não. Se eu já tivesse te visto antes eu me lembraria (Acho que essa foi a melhor cantada que eu já dei,pra vocês verem meu nível...).
Eu: Pô, me dá seu telefone.
Ele: Tá, é xxxxxxxxxx.
Eu: Me dá seu nome também. (Reparem na experiência da pessoa, pede o telefone antes de perguntar o nome ¬¬)
Ele: E.
Aí ficamos nos olhando, eu sorrindo pra ele, ele sorrindo pra mim.
Nós estávamos bem próximos um do outro, quase nariz com nariz. Então eu fiz a pergunta óbvia:
Eu: Posso te beijar?
E qual foi a resposta? Hein? Hein?
Ele: Não.
E eu lá, olhando pra ele com cara quem acabou de abrir o pote de sorvete e descobriu que tinha feijão dentro.
Eu: Você tem namorada?
Ele: É, algo do gênero.
Eu: Tá, então tchau.
E subi pra aula.
Agora eu me pergunto, por que caralhos um ser humano que tem namorada, ou que simplesmente não está a fim de ficar com você,te sorri,dá nome e telefone?!?!?!?
Umas amigas acham que ele é gay. Eu acho que ele é simplesmente retardado.
P.s: É triste, mas eu ainda tenho mais histórias pra contar. Talvez eu faça mais posts como esse. Com a sorte que eu tenho nesses assuntos é capaz até de virar uma série.
P.p.s: Enquanto eu não dou notícias dos meus outros fracassos amorosos, vocês podem deixar sugestões de temas para serem abordados aqui nesse blog. Estou completamente sem idéias, então pode ser qualquer coisa. Uma reportagem que vocês tenham visto e querem que eu comente, etc. Ou vocês podem simplesmente mandar perguntas sobre mim que eu vou respondendo.
Embora não pareça, eu sou romântica. Quero me casar e viver feliz pra sempre e patati patatá. O que não quer dizer, em absoluto, que a sorte me tenha sorrido nessa área da vida. Por que, bem... Não sorriu. O que também não quer dizer que eu não possa vir aqui e contar algumas curiosidades sobre ma vie amoureuse pra vocês. Afinal, nem eu nem vocês estamos fazendo nada, então abram logo o pacote de Trakinas que vocês pegaram escondido e sentem aí. Comecemos obviamente, pelos fracassos.
O Primeiro Beijo:
Como o título do post já denuncia, a história não é nem um pouco romântica. Eu tinha uma amiga. E essa amiga tinha um namorado. Que por sua vez tinha um amigo. Feio. Quando eu digo feio, é feio mesmo. Não tem esse negócio de “exótico” ou de beleza ser coisa subjetiva. Ele era feio e ponto final. Fato público e notório. A questão era que quase todo mundo que eu conhecia já tinha beijado na boca, menos, evidentemente, eu. E calhou do feio se interessar por mim. E estar disponível. Enfim, peguei-o. Na verdade ele me pegou. Estávamos na fila do lanche na cantina da escola. Ele me entregou uma cartinha muito da ordinária que tinha escrito e a idiota aqui, com o ego inflado, pediu o feio em namoro. Pro meu azar, ele aceitou. Aí ficamos nos olhando e, de repente, ele me deu um selinho. Eu me surpreendi. E lá estou eu, processando o selinho, quando ele vem e mete a língua na minha boca. Foi nojento. Ponto.
Mas não termina aí. Agora eu era namorada do feio. E foi aí que eu descobri que ele era feio e chato. E beijava mal. Eu já tinha sacado que ele era ruim de beijo quando ele me beijou pela primeira vez, mas eu pensei que a má impressão pudesse ter sido causada por que tinha sido o primeiro beijo e talz, e meio de surpresa. Maaaasss... Eu beijei ele de novo. E de novo. E de novo. E Continuava ruim. Até que eu passei a tentar me esquivar dos beijos dele. Ele vinha com aquela língua úmida na minha direção e eu ia afastando a cabeça. Era incontrolável. E ele percebeu. Um dia disse pro amigo que tava do nosso lado: “Acho que ela esquece que a gente tá namorando”. Pois é. Durou uma semana. Contando os dois dias do final de semana e mais dois dias em que eu faltei à escola. Aí eu mandei aquela conversa típica “Não é você, sou eu”. Mas era ele, de fato. Depois se espalhou um boato de que ele teria me traído. Eu não acredito. Duvido que ele tenha conseguido encontrar outra mulher tão desesperada quanto eu. No fim das contas o mala me enche o saco sempre que me vê. Não perde uma oportunidade de me contar os causos amorosos dele. Depois não sabe por que foi bloqueado no MSN.
Primeira Declaração de Amor:
Foi nessa mesma escola. O tempo todo eu ia pra sala das minhas amigas ficar batendo papo e enchendo o saco. E num desses momentos percebi que elas tinham um colega muito charmoso. Eu já tinha reparado nele antes, mas as constantes visitas à sala delas me deram oportunidade de analisá-lo melhor. E gente, eu gostei do que eu vi. Ele tinha cara de morto, bebia que nem um gambá e nunca parava em sala de aula. Mas eu me apaixonei, fazer o quê?A voz de bêbado dele me arrepiava, a palidez me encantava e eu adorava aquele estilo “poeta maldito” dele. Cá entre nós, se ele quisesse, eu teria dado pra ele (#prontofalei). Então, pus em prática a minha mais conhecida tática de sedução: comecei a persegui-lo. E era difícil o negócio. Por que o desgraçado andava rápido. Mas eu não desistia. Onde ele ia,eu ia atrás.
Então, numa dessas visitas a supracitada sala de aula, descobri que ele gostava de outra. Depois de xingar mentalmente a garota (e de tentar descobrir inutilmente quem era), resolvi honrar os ovários e ir me declarar pra ele. “No que diabos você estava pensando?” vocês estão se perguntando. Pois bem, do alto da minha ingenuidade e dos meus 17 aninhos eu achei que ele,quando visse todo o amor que eu sentia,ia me dar uma chance, e com o tempo ia se apaixonar por mim. Pois bem, não foi bem isso que aconteceu. Eu pedi pra falar com ele, ele parou de andar e ficamos lá parados no corredor. Então eu disse: “Eu gosto de você!”. Assim, na lata. E o que ele disse?
- “E?”
Isso mesmo. “E?”.
Aí eu disse: “Ah... era só pra você saber mesmo.”
Aí ele me abraçou. E olha, foi o melhor abraço que eu já recebi. Parecia que tinha alguma droga nos braços dele. O troço foi entorpecente.
Se eu desisti depois do fora? Não meus amigos, aqui não funciona assim. Eu continuei perseguindo ele, e convidando ele pra ir aos lugares comigo. E azucrinando minhas amigas falando dele. Por que eu não posso simplesmente gostar do cara. Não, isso é pra gente normal. O que vocês já devem ter percebido não ser o meu caso. Quando eu gosto, eu me vicio na pessoa. A ponto de precisar de clínica de reabilitação mesmo. Nessa época a Thais mandou eu ir me tratar (com alguma razão,eu admito).No fim,acabou que eu não fui pra Rehab,e depois de alguns meses desencanei dele.
Depois disso ninguém conseguiu ainda roubar meu coraçãozinho. Embora alguns tenham conseguido despertar em mim alguns pensamentos poucos castos. Mas enfim, é como eu digo: Homem é igual orelhão: ou tá ruim, ou tá ocupado. E às vezes até os ruins estão ocupados.
Depois dos fracassos, é hora de refletir um pouquinho. Já me disseram que eu sou exigente demais. Às vezes eu penso que pode ser verdade, que posso estar esperando mesmo o príncipe encantado, o que, convenhamos, não é legal. Contudo, outras horas eu penso que estou exigindo o básico mesmo. Respeito, confiança, admiração, inteligência. E o mínimo de beleza. Se me aparecer um Louis Garrel da vida é óbvio que eu não vou reclamar, mas sei que é difícil e não tenho problemas em aceitar alguém mais comum.
O que eu não quero,e nunca quis,é ter uma relação como essas que eu vejo por aí. Casais discutindo a plenos pulmões no meio da rua. Atirando coisas uns nos outros, ou se xingando. Se for pra ter isso eu prefiro continuar sozinha (O que não é tarefa das mais fáceis com todo mundo buzinando no seu ouvido que é de suma importância ter um pinto de estimação).
E nem venham me dizer que esse tipo de relacionamento é normal. Por que não é. É comum, normal não.
Antes só do que mal acompanhada.
Momento: “Que que tem o cu a ver com as calças?”
Nada. Mas, mesmo assim, vale muito à pena dar uma conferida no último post da Gabi. Que está muito sensível e tocante (pra variar).

Eu sei que talvez não seja um tema legal para ser comentado logo depois do dia dos pais, mas pelo menos o blog está sendo atualizado. Tenho pensado bastante nisso ultimamente. Nessa coisa de ter filhos. Verdade seja dita, nunca fui muito maternal. Eu já quis ter filhos sim, houve uma época em que eu queria ter doze (relevem, eu devia ter uns 7 anos), mas a cada dia que passa, a vontade diminui. Eu tenho observado inclusive que eu não gosto de crianças. Criança é um troço chato. Você tem que manter os olhos nelas 24hs por dia, elas dependem de você pra tudo, e você nem pode manter uma conversa legal com elas porque são crianças, e evidentemente, elas não entendem muitas coisas e você não pode explicar outras tantas. E, além disso, as crianças de hoje em dia estão muito mal educadas.
Sinceramente, eu acho que a maioria das pessoas não pára realmente pra pensar se quer ou não ter filhos. Não pára pra avaliar os prós e contras. As pessoas simplesmente têm filhos. Por que a sociedade passa a mensagem (principalmente para as mulheres) de que isso é o normal, de que isso é o sadio, e que sem filhos, ficamos incompletas. Quando eu penso em não ter filhos é essa a idéia que me vêm à cabeça. “E se eu me arrepender de não tê-los tido? E se eu me sentir incompleta?”. A verdade é que isso é uma bobagem. É só uma mensagem imbecil, que como tantas outras, foi internalizada pelas pessoas. As pessoas não ficam necessariamente incompletas por que não procriam. Do mesmo modo, as pessoas podem ficar incompletas por que procriam. Quando eu me imagino tendo filhos, eu não me vejo me divertindo com a experiência. Só durante a gravidez, mas depois eu paro e penso: Se eu vou ficar grávida, bem, então uma hora as crianças vão nascer. E aí a fantasia fica chata. Por que não dá pra voltar atrás depois de ter tido os filhos. E nem sempre a experiência é tão legal quanto os filmes mostram. Criança de novela todo mundo quer. Sempre educadas, sempre inteligentes, sempre bonitinhas. Mas ao vivo não é bem assim. Pode ser, mas pode não ser também. E eu, particularmente, não estou disposta a arriscar. Lembro de uma entrevista que li com uma escritora há algum tempo. Ela disse algo que me fez pensar. Ela disse “Não podemos ter certeza de que não vamos parir o anti-cristo”.E é verdade.Eu acredito que mesmo com uma boa educação,as pessoas podem desandar. Por que filhos são isso. Pessoas. E não brinquedinhos ou extensões dos pais, como é de hábito pensar. Eu entendo que existam aquelas pessoas que têm filhos por que querem amar e educar alguém. Entendo e respeito. Mas cheguei à conclusão de que não é assim que quero levar minha vida. Ter filhos seria uma experiência que, a meu ver, me impediria de ter muitas outras experiências legais. Me tomaria tempo e dinheiro que eu não estou disposta a gastar.E sim,sou egoísta.Não vejo problema nenhum nisso.Estou apenas encarando os fatos.Não quero ter filhos,e acho que nenhuma criança iria querer me ter como mãe. Com razão. Então, como eu não quero ser mãe, muito menos uma mãe ruim, me abstenho da experiência.
Antes que alguém me pergunte “Mas você não sente nada quando vê um bebê? O pega no colo?” a resposta é sim e não.Sim,acho bonitinho.Mas não,não acho que tenha motivo pra esse auê todo que as pessoas fazem.E só acho bonitinho por que sei que depois vou poder devolver a criança pra mãe.
* Contudo, apesar de não querer vivenciar a maternidade, os assuntos ligados à ela me interessam.Por que,bom,mães são mulheres.E como feminista,tudo que se refere as mulheres me interessa.Eu acho interessante ver as várias reflexões que a maternidade (e a paternidade,que se modificou muito nas últimas décadas,graças a nós,feministas) pode provocar. Pra quem também se interessa por esse assunto, eu recomendo o vídeo abaixo (Tá em espanhol,mas não acho que prejudique muito a compreensão).É sobre parto.E sobre como,as mulheres,nesse momento tão importante,são deixadas de lado,apesar de serem a figura principal da cena.
** Como nada é eterno, eu posso mudar de opinião. Mas por hora é isso.
Só pra atualizar isso aqui mesmo =]
- Fui ver Harry Potter E O Enigma do Príncipe. Foi um dos melhores filmes da saga até agora, só perde pro terceiro. O Alan Rickmam estava ruim como Snape (meu personagem preferido!) como sempre. Michael Gambon também estava fraco como Dumbledore. Pelo menos não vai mais aparecer nos filmes. A Emma Watson eu nem achei ruim neste filme. De resto,deixaram muita coisa de fora e o que colocaram,puseram com mudanças desnecessárias. Mas o saldo foi positivo. E o Draco voltou a aparecer de verdade nos filmes. Do quarto filme pra cá parecia que ele só estava fazendo figuração o.0
- Fui ao aquecimento pro Anime Family lá em Piedade. Foi bom, mas senti falta de mais atrações, basicamente a gente só podia comprar coisas.Pelo menos eu comprei minha primeira camiseta de anime,e à um preço razoável.Dessa vez não tinha fila pra subir as escadas,mas esperamos em pé durante três horas do lado de fora pra comprar ingresso.Ter ido valeu a pena,foi divertido,deu pra botar o papo em dia com as amigas,principalmente com a Gabi.Enchi os ouvidos dela durante todas as três horas.E depois perseguimos um funcionário do evento bonitinho,popularmente conhecido como Frodo.
- Cortei meu cabelo.
-A Internet parou de funcionar duas vezes. Em uma delas por mais de dois dias, para o meu total e completo desespero.
- Assisti também “A Era do Gelo 3”. Foi o primeiro filme que assisti em 3D. Gostei da experiência. Parece realmente que as cenas são de verdade, que estão acontecendo ali na sua frente. Cheguei a me encolher numa das cenas que tem uma explosão de lava. Parecia que o negócio ia cair em cima de mim... É muito legal. E o filme é bom também, gostei da personagem da mamute (não lembro o nome dela) e da Amora,a filhotinha dela.E o filme é engraçado.Valeu o ingresso.
- Não adiantou resistir. Tive que voltar ao Fundão. O pessoal do IFCS não deu conta de resolver o problema do CPF e por causa disso eu não conseguia ver meu boletim. E Sabem como é né?Tudo tem que ser resolvido no Fundão, apesar de existirem outros campi espalhados pela cidade. Enfim, pelo menos fui lá acompanhada da minha prima. Ela também tinha que resolver uns assuntos e enquanto esperávamos a DRE abrir ficamos no centro acadêmico de Física, o CAFIS assistindo desenhos (Um parênteses: Os produtores dos atuais desenhos pra crianças se drogam.Fato).Quando chegamos lá tinha um garoto lindinho dormindo no sofá lá,na maior tranqüilidade.Ficamos conversando com ele,mas no final esquecemos de pedir o MSN.No fim das contas,quando a DRE abriu,eles resolveram meu problema (Que era um caso único,segundo disse o rapaz que me atendeu “É a primeira vez que vejo isso!”.Sempre me dizem isso,porque será meu Deus?!).O destacável é que resolveram com extrema rapidez,e com simpatia,e sem criar caso.Fiquei de queixo caído.E ainda me deixaram imprimir o boletim lá.Estou abestalhada até agora.
-Falando em boletim, como eu já disse, finalmente consegui ver o meu e ... Passei em tudo!Em todas as sete matérias!Incluindo Metodologia, quem diria. E Nem foi raspando, meu CR ficou alto =]
-Passei no curso de francês também. 88.1 pontos de um total de 100 =]
- A minha casa está ficando muito bonitinha. Devagarzinho estamos comprando coisas novas e ela está ficando uma graça. Esse mês recebemos nossas primeiras visitas. A maioria de parentes, mas vieram alguns amigos também, e estão todos encantados com o nosso lar doce lar.
- Não terminei de ler “Fushigi Yuugi” nem “Zettai Kareshi”. Temo que jamais consiga terminar.
-Baixei um anime ótimo, que recomendo a todos. Chama-se “Antique Bakery”. Não vou falar mais nada pra não estragar a surpresa.
-Acho que a faculdade me cansou além do que eu supunha. Estou com preguiça de fazer tudo. Tinha várias idéias de posts para esse blog, mas a preguiça (e também a inspiração fraquinha) me impediram de escrevê-los até o final e postá-los.
-Tenho lido muitos blogs, pra variar. Os melhores foram adicionados aos links. Vale muito a pena visitá-los.
-Não atualizei nenhuma Fan Fic.
-Mudei o layout deste blog, como vocês devem ter reparado. Se estou lembrada, esse layout é o terceiro (estou ignorando aqueles layouts que ficaram no ar só por um ou dois dias).Achei que o outro estava meio infantil.Foi duro achar um que eu gostasse e que fosse a cara do blog.O que eu mais gostei ficava dando erro o tempo todo.Então ficou esse mesmo.A cada dia que passa gosto mais dele.Acho que ele combina com o blog.Ele me lembra um colégio japonês não sei porque.Gosto desse tema de incêndio,acho que combina com alguns posts polêmicos do blog.E também,eu adoro vermelho!Já me falaram que dificulta a leitura. Bom, sinto muito. Por hora é o que temos.
-O mp4 novo está dando problema. Vou ter que trocá-lo.
-Quando fui assistir Harry Potter abri a carteira e vi que tinha R$ 40,00 sobrando!Já que eu estava no shopping aproveitei para ir ao meu tipo de loja favorito: A Livraria. Comprei “O Leitor”. Aquele sobre o qual fizeram um filme recentemente (Que eu ainda não vi). Ainda estou no primeiro capítulo, mas estou gostando. Depois eu falo mais sobre ele.
-Finalmente fui me cadastrar na locadora aqui perto de casa. Uma frescura que só. Tinha que tirar foto, digital do indicador, levar comprovante de residência, CPF, identidade, preencher uma ficha enorme onde pediam inclusive o telefone de alguém que não morasse comigo para o caso deles precisarem me contatar. Só faltaram pedir atestado de bons antecedentes. E ainda por cima o valor da locação é caro. Mas verdade seja dita, a locadora é foda. Tem todos os filmes possíveis e imagináveis. Tive muita dúvida na hora de alugar. Bem diferente da locadora perto da casa velha, que não tinha nenhuma dessas frescuras, mas em compensação só tinha filmes de ação. Acabei alugando Persépolis e Enquanto Houver Esperança. Ambos bons, mas o primeiro melhor que o segundo.
- Fiz minha primeira reunião de amigas aqui em casa. Foi ótimo, veio quase a turma toda,vimos filmes,lanchamos,conversamos,e a Carol nem jogou o cabelo na cara na hora das fotos!Adorei a experiência. Espero repetir em breve.
-Depois de NOVE anos brigando na justiça finalmente minha família conseguiu a guarda do meu avô que tem Alzheimer. Ele ainda está se adaptando a gente e nós a ele, mas estamos progredindo rápido, ele já riu das brincadeiras que fizemos e já está mais à vontade conosco. Estamos todos muito felizes.
-Descobri que, por causa da gripe suína, minhas aulas só começarão dia 17 de Agosto. Não gostei. Não sei o que vou ficar fazendo até lá. Parece que tá todo mundo entrando em pânico por conta dessa gripe menos eu. Mamãe acha (e eu concordo) que eu ainda não entendi a gravidade da situação.
-Minha mãe conseguiu tirar licença do trabalho pra cuidar do meu avô. Vai emendar com as férias.É legal,gosto de tê-la em casa (embora ela me estresse as vezes).
- Me inscrevi para o meu primeiro concurso de blogs, um só de blogueiras feministas, idealizado pela Lola. Fui cara de pau e me indiquei para participar. Estou adorando a experiência e muito animada só de pensar que o bloguito vai ganhar mais visitas e comentários.E de feministas, o que é ainda melhor!Então por favor, leitor(es),vote(m) em mim!É só ir lá no blog da Lola,a enquete aparece logo de cara no canto da tela.
Eu adoro a França. Desde a primeira vez que ouvi falar no país (não lembro quando) eu tive uma boa impressão. Se eu acreditasse nesse negócio de reencarnação, eu poderia jurar que em outra vida fui francesa. Mas como ainda não conseguiram me convencer de que isso existe, eu não tenho uma explicação plausível para essa minha paixão. Eu só sei que amo esse lugar. Absolutamente tudo nele. O cinema, a música, a língua, a História, a cultura, as pessoas (os homens, principalmente hehe). Os franceses têm um je ne sais pas quoi (não é je ne se quá, pelo amor de Deus!) que faz com que tudo que eles se propõem a fazer, façam melhor que os outros povos. Façam com mais classe, mais delicadeza, mais respeito eu diria. Eles têm equilíbrio. Não tendem nem para o excesso norte-americano nem para a frieza desinteressada dos britânicos. Parece haver um compromisso da cultura francesa em deixar as coisas belas. Mesmo as ruins. Pelo menos é assim que me sinto quando estou em contato com algo francês. Sinto que a humanidade pode ser bonita.
Sempre que penso no futuro eu me imagino na França. Não necessariamente em Paris, mas sempre me vejo vivendo no hexágono. Nos meus pensamentos viver lá me parece a única opção de vida satisfatória. Não entendo alguns colegas do curso de francês que simplesmente estudam a língua. Por prazer, dizem. O meu prazer em estudar o idioma é a esperança de que um dia eu o usarei como minha língua. Como estou usando o português agora. Que a utilizarei para cumprimentar os vizinhos quando sair para comprar o pão na padaria (e quando voltar com ele devidamente colocado debaixo do braço).
Me acaricia o coração me imaginar chegando em casa – uma daquelas casas antigas,que a gente sabe que escondem muitos segredos – e sentindo o perfume da comida e do meu marido que a prepara.Me alegra pensar que,se eu tiver filhos – que serão franceses,evidentemente – eles terão acessos a sistemas de saúde e educação de qualidade.
Em resumo, eu me acalento sabendo que sim, há um lugar bonito, onde a vida vale a pena ser vivida, e onde é possível – e alguém lá em cima permita ser provável – que eu venha a morar.
Para ilustrar melhor o post,eu recomendo:
Clara Sheller - Mini-Série.
Tropiques Amers - Mini-Série
Un Long Dimanche de Fiançailles - Filme
E por último,e mais importante.
Pauline Croze - Mais que música.
Meu avô nasceu em Araraquara, São Paulo. Em 1937. Era pobre, mas queria ser médico. Todos lhe diziam que filho de pobre não virava médico. Ele virou. Dos bons, ficou rico graças à sua competência. Sempre foi muito inteligente. Ele casou-se jovem com a minha avó, por quem tinha adoração e teve dois filhos, minha mãe e meu tio. Quando eu tinha dois anos minha avó morreu de câncer. Meu avô entrou em depressão, quando a doença ainda não era moda. Mesmo nesse estado de tristeza sempre foi um ótimo pai, e principalmente avô. Eu o adorava. Acho que ele era a pessoa que eu mais amava no mundo. Minhas melhores lembranças de infância são ao lado dele.
Um dia apareceu uma mulher dizendo para nossa família que era namorada dele, não lembro direito como foi, eu era pequena. Lembro que eu não gostei nada da idéia, talvez tenha sido um pressentimento. O caso é que o resto da família gostou da idéia, acharam que uma namorada talvez levantasse o ânimo do meu avô. Nessa época ele já apresentava os primeiros sinais do Alzheimer. Conforme tudo ia avançando, o “namoro” e a doença, a gente foi percebendo que ela não valia nada. Ela estava interessada somente na aposentadoria do meu avô. Ela tanto fez que deu um jeito de levá-los (ele e a aposentadoria, evidentemente) para morar com ela. Numa favela em Bangu. Onde nem os funcionários do judiciário se atrevem a entrar. Ela conseguiu isso graças ao apoio das irmãs do meu avô, as quais eu nunca mais, enquanto eu viver chamarei de tias. Elas não queriam a responsabilidade de cuidar de um irmão doente. Isso por si só já seria reprovável, mas elas poderiam tê-lo deixado sob os cuidados dos filhos dele, que sempre o amaram e estariam dispostos a fazer tudo para que ele ficasse bem. Não sei por que ficaram do lado da víbora. Não me lembro de todos os detalhes podres da história (Até por que, ninguém os contaria a uma criança).
Entramos na justiça com o pedido de guarda. A justiça negou, com base nos depoimentos das irmãs do meu avô a favor da seqüestradora. O interessante é que, enquanto eu ainda freqüentava a casa delas, toda vez que a cretina aparecia elas me mandavam me esconder no banheiro junto com meu primo, senão “a bruxa poderia nos deixar pequenininhos com um feitiço”. Depois disso, entramos na justiça para termos direito a visitação porque ela não nos deixava vê-lo. Não tínhamos notícia nenhuma. Não sabíamos como ele estava, se estava sendo bem tratado ou não. Toda vez que telefonávamos pra falar com ele, os filhos dela diziam que ele tinha ido comprar sapatos.
Esse processo ficou rolando (sempre favorável a ela), durante aproximadamente, NOVE anos. Até que agora a juíza nos deu a guarda provisória por um mês. Mas sabemos que vamos ganhar a guarda definitiva, porque com certeza absoluta ele está sendo mais bem tratado aqui do que jamais foi na casa da bandida (Que foi simplesmente humilhada na última audiência.Eu não fui,mas minha mãe e meu tio disseram que foi coisa de novela.Saíram com a alma lavada). Ele chegou aqui em casa ontem. Magro, com o pé inchado, tenso, todo curvado e com os olhos fechados. De ontem pra hoje já melhorou bastante. Já riu das brincadeiras que fizemos, abriu os olhos algumas vezes, comeu bem,está bem vestido,está num quarto quentinho,com cobertas só pra ele,e o mais importante,está perto de gente que realmente o ama.Quando eu penso no que ele pode ter passado longe da gente me dá vontade de matar aquela mulher.Mas não cabe a mim fazer isso.Um dia ela será punida.O importante agora é que meu avô vai morar comigo e receber todo o carinho da família dele.Porque,ainda que ele não se lembre de nós,nós lembramos dele.E estamos certos de que ele saberá ver a diferença de tratamento.E vai reagir aos nossos estímulos e melhorar.
É isso. Te amo vô =]
Quem tem medo do feminismo?
Evidentemente, os homens machistas. Mas não só eles. Muitas mulheres também temem o feminismo. Por quê?
É o que eu vou tentar responder aqui.
Antes de mais nada, vou tentar definir o feminismo em poucas linhas. É óbvio que vai ser uma definição superficial, já que existem múltiplas correntes feministas. Vou tentar expor aqui o que todas elas têm em comum. O que une todas essas correntes é a convicção de que as mulheres foram obrigadas pelo patriarcado, e o são até hoje, a desempenhar um papel social menor do que o homem, o que acarreta para elas uma série de problemas, dentre os quais a misoginia. Assim explicado, fica óbvio que o feminismo visa combater o patriarcado e reverter a situação de subjugação a que as mulheres estão submetidas. Então, porque as próprias mulheres se opõem a esse movimento político que só visa beneficiá-las?
É simples. Para que você reconheça a legitimidade de um movimento que tem por objetivo resolver seus problemas, você tem que, primeiro, admitir que tem um problema.No caso,para reconhecer a legitimidade do feminismo,é preciso compreender que se está sendo vítima de um sistema opressor.E convenhamos,ninguém quer se enxergar como vítima.Principalmente porque a nossa sociedade nos ensina sempre que a vítima tem parte da culpa (quando não,toda a culpa).”Foi assaltada?Óbvio,saiu com aquele colar de ouro!”,”Seu namorado te traiu?Mas é claro,você não dava atenção suficiente pra ele”,”Foi estuprada?É evidente que a culpa foi sua por sair com aquela saia curta”,etc.Nesse contexto,as mulheres pensam que se reconhecerem que são discriminadas vão estar automaticamente reconhecendo que concordaram (ainda que implicitamente) com isso.E não é por aí.Aceitar o feminismo implica,sim,uma revisão das nossas posturas e atos,implica uma conscientização,mas não uma culpabilização.O feminismo,quem diria,não vê as mulheres como culpadas por tudo.Nós entendemos que ninguém vive no vácuo,estamos todos inseridos numa cultura machista,fomos socializados nela e pensamos como ela nos ensinou a pensar.Uns mais,outros menos.O objetivo então é repensar nossa atuação dentro dessa cultura,para tornar nossas atitudes o menos sexistas possível.
Um outro aspecto desse problema de se reconhecer como vítima,é que algumas mulheres realmente acham que são poderosas.Sejam aquelas que acham que o mundo é igualitário ( como apregoam os detratores do feminismo),sejam aquelas que sabem que ele não é,mas acham que está tudo bem.Em suma,acham que o sistema não as oprime.Assim sendo,não se faz esforço algum pra melhorar.É necessário entender,como eu já disse em outro post,que são poucas as mulheres que realmente detêm um poder real.E que ainda que você o detenha,isso não quer dizer,em absoluto,que o mundo seja igualitário.É questão também de olhar para algo além do próprio umbigo.É questão de entender que,enquanto você tem um bom emprego,e talvez até uma posição de comando,a maioria das mulheres ainda exercem cargos subordinados.E que mesmo você,a chefona,é vista como menos competente só por causa dos dois cromossomos X.E que muito provavelmente,você só pode ter esse empregão porque está pagando uma outra mulher para que ela lave as cuecas do seu marido enquanto ele assiste o futebol.
E pra terminar, a última faceta do problema: As mídias reacionárias. Que não apenas disparam a torto e a direito que estamos vivendo uma igualdade de gêneros (o interessante, é que essas mesmas mídias não ousam dizer a mesma coisa quanto a igualdade econômica e racial...),como também fazem todo um trabalho de publicidade de modo a pintar as feministas como histéricas e reclamonas.Como se não houvessem mais problemas nesse âmbito e nós só reclamássemos para aparecer,afinal somos,segundo eles,um bando de mal-amadas (pra não usar aquele outro termo “delicado”).E o trabalho é bem feito,eu tenho que admitir.Porque o feminismo ainda hoje é demonizado.As próprias mulheres propagandeiam esses clichês estúpidos sobre o feminismo.E claro,ninguém quer fazer parte de um grupo cujas demandas são tidas como frívolas.Pega mal ser feminista,afinal não temos motivos para estar reclamando!Entendido isso eu não me surpreendo que as mulheres resistam em reconhecer a situação em que se encontram.
Mas, ninguém pode viver de olhos fechados para sempre, ou corre-se o risco de dar com a cara no poste. Então meninas, percam o medo. Reconheçam que temos, sim, muitos problemas, e que cabe a nós resolvê-los. E que sim, nós podemos melhorar as nossas vidas. Parafraseando o Marx, nós não temos nada a perder, só os nossos grilhões.
E Cinéfila feminista, vamos deixar bem claro. E como tal vim aqui comentar alguns filmes que eu julgo feministas.
Persépolis:
Persépolis conta a história de Marjane Satrapi, desenhista iraniana que atualmente mora na França. O filme começa narrando a infância de Marjane no Irã comandado pelo Xá.Marjane tem vários parentes que são presos políticos por se oporem ao regime.Já dá pra ver que o filme é bom logo nessa parte.Ninguém trata a menininha como idiota,nem a manda ir brincar de bonecas em momento algum.Marjane brinca com os meninos de sua rua,é inteligente e curiosa,quer saber o que se passa a sua volta.E as pessoas contam.Não como contariam a um adulto é claro,mas contam.Explicam na medida do possível os acontecimentos políticos do país para que Marjane os entenda.Nessa idade a garotinha quer ser profetisa,ignorando o fato de que nenhuma mulher foi profetisa na sua religião.Na época do Xá,o Irã é mais liberal,os casais podem andar de mãos dadas e as mulheres não são obrigadas a usar o véu,quase nenhuma usa.Contudo,o que é bom dura pouco e logo que o xá é derrubado o povo vota por uma república islâmica.Marjane,suas familiares e suas amigas passam a ser obrigadas a se esconder sob os véus.O desrespeito às mulheres aumenta,mesma àquelas que usam o véu “corretamente”.Nessa parte do filme podemos perceber melhor a personalidade da mãe de Marjane,uma das melhores personagens da história.É uma mulher inteligente,culta e independente.Ela convive com as novas regras sem,no entanto,concordar com elas.Ela não se rebaixa,e quando insultada sempre reage.Não se esconde atrás de ninguém,e deseja que a filha faça o mesmo.Uma de suas cenas mais bonitas é quando Marjane se casa com 21 anos e encontra sua mãe chorando no banheiro.Marjane pergunta porque ela chora e ela diz algo como:”Eu te criei para que fosse uma mulher culta e independente,e agora você se casa com 21 anos!”.A avó de Marjane também é fantástica,uma mulher íntegra e liberal que tenta passar seus valores à neta.Marjane também é fascinante,é uma garota complexa que tenta primeiro driblar os obstáculos impostos à ela pelo novo governo de seu país e depois se adaptar à vida numa Europa onde as pessoas não sabem quem ela é e não estão preocupadas com seu bem-estar.É um filme político,mas que não toma nenhum partido.Seu objetivo não é ser panfletário.É mostrar como as pessoas são afetadas pelos jogos de poder e pelas ideologias extremadas.O que consegue fazer muito bem,sem cair no exotismo à La “Caminho das Índias”.Ah,nem preciso dizer que passa com louvor nas regras de Bechdel né?

O Sorriso de Monalisa:
O outro filme que eu vi e que é digno de nota é “O Sorriso de Monalisa”. Esse eu assisti já tem algum tempo, mas ainda lembro de bastante coisa.A estória é sobre uma professora de arte que vai dar aula numa das melhores universidades do país,que é freqüentada pelas moças mais inteligentes da nação.A professora logo percebe,no entanto,que as jovens não estão empenhadas em aprender coisa alguma,só estão ali “fazendo hora” enquanto não se casam.No início as jovens fazem pouco caso das idéias libertárias da professora acerca do casamento e da arte,mas depois vão repensando a vida.Principalmente depois que uma delas se casa e descobre que a vida no lar não é tão perfeita quanto os comerciais de eletrodomésticos mostram.O legal do filme é que as alunas e Katharine (sim,a professora também não é perfeita) aprendem que o mundo é mais amplo do que o que lhes é mostrado pela sociedade conservadora em que vivem e que elas podem,e devem escolher o que é melhor pra elas.E a escolha pode ser sim,ser dona-de-casa e mãe,desde que a escolha tenha sido pessoal.Um dos méritos do filme é que,infelizmente não mudou tanta coisa assim da década de 50 pra cá,então ele ainda continua atual.É um filme bastante criticado,há quem diga que é raso,plastificado,etc.Reconheço que podia ter sido melhor,mais profundo,mas eu vejo qualidades nele.E recomendo.

Mulan:
O último filme a ser comentado é Mulan.Esse tenho certeza que todo mundo conhece.Eu vi também há um bom tempo,e dos filmes da Disney é meu preferido.Creio que é o único filme da Disney de que eu realmente gosto.Tem aquelas musiquinhas chatas no meio da estória,típicas de filmes da Disney,mas eu gosto do roteiro.E convenhamos,inovaram nesse filme.Pra quem sempre contava a estória de princesas que dormem por cem anos,ou que se transformam em cisne,ou simplesmente vão a bailes e perdem sapatos,e esperam todas que o príncipe resolva o problema,contar a estória de uma mulher,que não é princesa,não se encaixa nos padrões de feminilidade da sua cultura e por isso não consegue um marido,e – crime dos crimes!- se disfarça de homem para ir pra guerra,é bastante fora do comum.E Mais,Mulan não apenas não se mostra fraca e débil como esperavam que ela fosse mas se mostra mais competente e capaz que seus companheiros homens,e é graças a ela que a China vence os hunos.Eu gosto muito da cena em que o imperador da à ela o seu colar,para que todos saibam o que ela fez e para que assim ela leve honra para sua família.Porque essa cena contrasta com o início do filme,quando ensinam a Mulan que ela só pode trazer honra à família casando-se.Gosto bastante também do final,quando o capitão Shang vai visitá-la em casa.Nessa cena percebemos logo que eles vão ficar juntos.Eu gosto porque,para mim,fica claro que ele não vai ficar com ela porque quer simplesmente uma esposa (submissa,domesticada,etc.),ele vai vê-la porque quer à ela.Mulan.A quem ele respeita e admira.Enfim,acho que se algum dia eu tiver uma filha,o único filme da Disney que vou deixá-la assistir é “Mulan”

Ontem estava eu assistindo TV tranqüilamente quando vejo a chamada pro Canal Livre na Band, que seria sobre violência de gênero. Mesmo com sono eu resolvi ficar acordada e assistir ao programa, que começaria às 23h30min (Porque um assunto tão importante é debatido tão tarde da noite e num domingo?). Valeu à pena ter assistido. O programa durou uma hora e foi dividido em três blocos. No primeiro, que visava debater o lado social da questão, a ministra Nilcéa Freire foi convidada e falou muito bem. Explicou que a violência contra a mulher é uma questão cultural, e que pela primeira vez,com a lei Maria da Penha o Estado reconhecia a gravidade do problema e se propunha a combatê-lo.A lei foi explicada de forma clara,de modo a realmente conscientizar as mulheres sobre ela.Ainda no primeiro bloco eu percebi o único porém do programa:o jornalista Antonio Teles.Enquanto Joelmir Beting e Fernando de Lima Mitre deixavam claro que tinham estudado o tema e que entendiam a gravidade da situação,Teles fez comentários imbecis um atrás do outro.O “Jornalista” despejou sobre a ministra,a juíza e a delegada todos os clichês e absurdos possíveis acerca do tema.Insinuou que nas classes privilegiadas a violência não assumia as mesmas proporções que nas classes baixas,deu a entender que achava a lei Maria da Penha exagero pois a maioria dos caso não passariam de “brigas normais de casais”,propôs que os homens podem ser tão vítimas de violência doméstica quanto as mulheres (!),e no alto de sua sabedoria declarou que a maioria dos casos seriam motivados pelo ciúme.A cereja do bolo,no entanto,foi o claro desrespeito de Teles para com as vítimas de violência “grã-finas”.Eu quase não acreditei quando vi,mas ele estava,sim,rindo enquanto a Juíza e a delegada comentavam sobre a violência de gênero nas camadas altas e sobre a violência patrimonial a que essas mulheres são submetidas.Felizmente todas as três convidadas responderam à altura (e muito educadamente até.Se fosse eu acho que já teria descido do salto na primeira barbaridade que o mentecapto disse.Enquanto ele falava eu mostrava aquele dedo pra televisão,tamanho era o ódio).Tanto a ministra,como a delegada e a juíza deixaram mais do que claro que esses crimes são motivados pelo sentimento de posse que os homens sentem em relação a mulher,e que é culturalmente ensinado.Pontuaram também que o álcool e a droga não são causadores dos crimes,apenas facilitadores.E que as mulheres não reagem fisicamente porque não foram educadas para isso (Porque a besta não conseguia entender porque as mulheres não reagem.Ele,do alto do seu privilégio masculino,acha que todos receberam a mesma educação que ele,logo,não faria sentido as mulheres não reagirem.E se não reagiam,então estavam legitimando a violência,ou essa violência não existia e as estatísticas estavam exagerando.Evidentemente,ele não disse isso com essas palavras,mas a mensagem foi essa.),ao contrário,fomos educadas para sermos submissas e conciliadoras de conflitos.A cada investida do monstro do senso-comum as entrevistadas respondiam com as estatísticas e com o verdadeiro conhecimento do assunto.No fim das contas,achei o programa positivo,se não tivesse o Antanio Teles teria sido perfeito.O que me consola,é que tem uma legião de ignorantes que pensam igual a ele,então,as respostas das mulheres entrevistadas serviram não só para o Teles como para todos os outros que pensam igual.Dos pontos positivos eu destaco:No início mostraram imagens de mulheres agredidas,mas sem,em momento algum,mostrar os rostos das vítimas.As entrevistadas foram todas mulheres,e especialistas no assunto.Em momento algum teve “a parte do agressor”.As estatísticas da violência foram melhor explicadas,foi dito o que mudou com a nova lei.Explicou-se também que a violência contra a mulher não é só física,pode ser também sexual,moral,psicológica e patrimonial,e que a lei Maria da Penha reconhece e combate todas essas formas de opressão.Não teve nenhum depoimento sensacionalista nem reportagens na cadeia mostrando os casos de “amor” que terminaram em morte,ao contrário das reportagens que a Record faz.O Debate também não foi no sentido “A Violência doméstica é um problema de Estado?” e sim no sentido “O que o Estado está fazendo para resolver o problema,e o que falta fazer?”.
Obs: Durante o programa os e-mails dos entrevistadores eram mostrados, mas eu não consegui anotar nenhum (ou pegava o e-mail ou prestava atenção ao que estava sendo dito), então infelizmente não pude escrever pra elogiar a atuação do Beting e do Fernando Mitre e pra descer a lenha no Teles.