Eu comentei aqui que não estava satisfeita com o curso de letras da UFRJ. Pois então, larguei e agora estou fazendo História, também na UFRJ. Era pra eu já ter escrito esse post há meses, a fim de dar uma satisfação aos meus três leitores (Tá,como se eu tivesse algum leitor...) mas a faculdade e outros assuntos me ocuparam demais.Então.Vim dizer que a troca foi excelente,Letras não era mesmo pra mim,estou bem mais feliz fazendo História.Não só por causa das matérias mas pelo estímulo intelectual que a faculdade me dá.Sei que não é bonito falar isso,mas na faculdade de Letras eu não tinha que pensar muito.Não só por conta das matérias em si (quem precisa refletir alguma coisa pra aprender Grego Arcaico,Latim ou Francês?)mas também por conta dos professores e da metodologia de ensino.Os professores aliás,eram um problema,tínhamos dois substitutos que não tinham qualificação suficiente,uma professora que faltava aula sim,outra também e que quando vinha pra aula ficava tomando açaí e pedindo pros alunos explicarem o texto e outra que era tão nariz em pé que desestimulava qualquer debate (Afinal ela nunca dizia que o aluno estava certo,quando ela não podia dizer que o aluno estava errado ela dizia “Ainda não é por aí”).Fora isso tudo, nós não discutíamos muito.Na aula de português por exemplo,a professora nos mandou ler um livro chamado “Preconceito Lingüístico”,e o trabalho e a prova foram baseados nele,como se as teorias do livro fossem verdade absoluta.Não nos foi passado um único texto que contestasse as idéias do autor daquele livro.Na faculdade de História eu não sinto isso.Nos mostram a evolução da teoria e correntes de pensamento distintas para que façamos uma reflexão.Até agora não me senti pressionada em nenhum momento a concordar com um autor,pelo contrário,os professores estimularam sempre a análise crítica.
Quantos aos alunos, senti diferença também. Os de História me parecem ser mais questionadores. Embora, é claro, o número de gente disposta a mudar de opinião seja bem baixo. Eu sinto que as pessoas já chegam com suas convicções políticas formadas e não se dispõem a abrir a mente. Nem que seja para no final elas provarem para si mesmas que estavam certas.
Ainda sobre os alunos, como em todo lugar, tem sempre os vagabundos. Aqueles que não ajudam em nada no trabalho, e nem aparecem no dia da apresentação e mesmo assim querem que você coloque o nome deles. Gente que só vai pra faculdade quando tem chopada marcada. Aí chega o final do semestre e ficam choramingando pro professor abonar as faltas ou aumentar a nota. Usam mil desculpas, chegam a matar cinco avós por mês. Eu fico impressionada. Será que dói tanto assim ir à aula?
Tem gente que mora em outros municípios e tá sempre ali. Eu acho que, se não quer fazer faculdade, não faz. Você não vai ser melhor nem pior que ninguém por causa disso. Não tá afim?Sai e dá a vaga pra outro. Como eu fiz. Acho que dá muito trabalho entrar na faculdade pra você não fazer nada lá dentro. Pra mim não faz sentido se matar de estudar no pré-vestibular (ou sozinho mesmo) pra quando chegar à faculdade não fazer nada. Por mais que eu faltasse, nunca deixei de entregar trabalho e fazer as provas, exceto quando o cachorro me mordeu.
Quando eu estava no pré-vestibular (porque não me deixaram fazer a transferência interna e eu tive que desistir da matrícula e fazer outro vestibular pra História), eu não faltava uma única vez, e fazia os trabalhos todos. Eu tinha consciência de onde eu queria chegar e sabia dar valor ao dinheiro dos meus pais. Infelizmente eu não posso dizer o mesmo dos meus colegas de turma, tinha exceções, claro, mas uma grande parte não estava nem aí pra hora do Brasil. Estavam lá simplesmente porque os pais obrigavam. Acho que o mesmo pode ser dito de alguns colegas meus na faculdade.
Eu consigo perceber também, que tem gente que ainda não conseguiu entender (ou não quer aceitar) que não está mais no ensino médio.
Gente que acha que o professor vai ficar indo atrás pra ver se você tá fazendo o trabalhinho.
Gente que pede pra tirar cópia dos textos que vão cair na prova, na hora da prova.
Gente que não trás os textos e quer fazer os trabalhos com textos de outras pessoas.
Gente que fica dando risadinha e fazendo piadinhas enquanto o professor tá explicando a matéria.
Enfim, essas coisas.
Fora evidentemente o povo desonesto, que apesar das negativas do professor insistem em fazer a prova, digamos... Em dupla.
Agora, partindo pra pontos mais materiais, a infra-estrutura do I.F.C.S. é bem melhor que a da faculdade de Letras lá no Fundão. No IFCS não tem buraco no teto do banheiro, por exemplo. E tem até elevador!(Tá quebrado, mas até essa semana pelo menos, estava funcionando...). Tirando o fato de que é infinitamente mais fácil chegar até o Largo do São Francisco, onde fica o IFCS do que ao Fundão. E o IFCS é mais seguro também. Quando leio nos jornais os casos de violência no Fundão dou graças a Deus por ter saído de lá.
Para concluir, eu digo que sair da Letras lá no Fundão e vir fazer História no IFCS foi a melhor troca que eu fiz na minha vida!

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.Vulgo IFCS =]



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