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    Templates da Lua

    16/07/2009

    Divagações Feministas

    Recentemente estava conversando (não vou dizer com quem) e no meio do assunto uma das pessoas fala que todo mundo suspeita que seu ex-namorado é gay. Conversa vai, conversa vem e o assunto acaba descambando na bissexualidade. Uma das pessoas na conversa afirmou que bissexualidade não existe. Que o que existe são experiências homossexuais. O homem hétero pode até se envolver com outro homem, mas no fundo ele sabe que só gosta de mulher. E vice-versa. E o homossexual pode se envolver com alguém do sexo oposto, mas no fundo sabe que é homossexual. É o que Freud e a psicanálise dizem, me disse essa pessoa. Tentei contra-argumentar. Não deu resultado. Devo admitir que não sou muito boa em embates ao vivo.Por isso deixo aqui minha opinião.Acho essa visão extremamente preconceituosa.Não me importa se foi Freud,Lacan ou Deus em pessoa que a proferiu.Eu parto sempre do princípio que as pessoas sabem do que gostam e o que sentem.Se alguém me diz que é bissexual,eu vou acreditar.Porque o desejo é dela,o coração é dela.Portanto ninguém melhor do que a própria pessoa pra saber como funciona sua afetividade.O que me irrita nessa postura “bissexualidade não existe” é que as pessoas que a defendem argumentam que a mulher hétero por exemplo, não gosta apenas do corpo masculino.Ela gosta também de todo “O Universo que envolve o homem”.Acho isso tão século passado.Tão sexista.Porque todos sabem (eu espero) que esses padrões de gênero foram socialmente criados.Logo,eu posso muito bem gostar de homem e não gostar desse “Universo que envolve o homem”.Assim como eu posso ser mulher e não me identificar com esse “universo feminino”.E aí?Faz-se o quê?Como se classifica isso?O que estou querendo mostrar é que não existe essa aura feminina/masculina intrínseca às pessoas. Eu creio que, se eu gosto de homens, é porque me atraio por seus corpos. E creio que só pelos corpos. Ou seja, posso muito bem me apaixonar por um homem “feminino” já que essas características ditas “Femininas” e “Masculinas” não estão essencialmente ligadas ao sexo das pessoas. É por isso que eu acho que dizer que a bissexualidade não existe é ser anti-feminista.E mais,é ser arrogante.É acreditar,como no caso da minha interlocutora,que só porque você tem um diploma de psicologia você entende como funciona a mente e a afetividade das pessoas.Nenhum manual e nenhuma disciplina nunca deram conta de explicar a mente humana.Muito menos a sexualidade.Então está na hora de certos psicólogos e leigos baixarem a bola.

    Obs. Essa postura me lembra a de alguns médicos. Você vai ao consultório do cara e diz o que está sentindo. Ele te olha e diz que você tem a doença X.E que pra doença X os sintomas que você relatou não existem. Logo você está inventando ou delirando o.0

    Como eu já disse em outros posts, a ciência tem que baixar o nariz. Antes que se torne um novo tipo de religião.


    Uma outra coisa sobre a qual estive pensando,é a diferença entre poder feminino e poder feminista.Sei que muitas pessoas não enxergam a diferença.Não culpo ninguém,é difícil mesmo.Creio que algumas pessoas ( eu inclusa),na ânsia de reconhecer algum poder nas mulheres e não enxergar a situação feminina tão obscura quanto ela é,entendem qualquer poder dado às mulheres como sendo positivo.E não é assim que funciona.

    Ao contrário do que se possa pensar, o patriarcado não exclui as mulheres de todas as esferas de poder. Contudo, o domínio machista só permite que a mulher detenha poder em áreas menos importantes. Áreas que, em sua maioria, não tem importância suficiente para que possam abalar o status quo. Pensem em uma mulher que todos achem poderosa. Aposto que o primeiro pensamento foi na Madonna ou genéricas. Pensemos:O que a Madonna faz para que a considerem poderosa?Ela é bonita. Mesmo com 50 anos. Ou seja, ela corresponde ao que a sociedade machista espera dela. Ela é famosa porque com 50 anos, idade em que as mulheres não são mais “comíveis” continua despertando desejo nos punheteiros de plantão.Se não fosse por isso,acreditem,ela não seria mais famosa.Porque ninguém fala da sua música.Pelo menos eu nunca ouço falar.Nunca ouvi dizer:”Nossa como a Madonna canta bem!”,”Que musicista fantástica!”,ou coisas do tipo.Nada no trabalho dela justifica a posição que ela ocupa.Mesmo no início da carreira,quando ela ainda não ostentava o título de “Coroa gostosa” ela não fazia nada que lhe outorgasse poder real.Ela aparecia por causa das polêmicas.Mas ela não contestava em nada o status quo.Ela apenas o escancarava.Ela tem poder?Tem.Tem um poder feminino.Um poder que ela só tem por ser mulher.E ser mulher na sociedade ocidental é ser “comível”.No dia em que ela não o for mais,perderá o poder.Entendem o que eu quero dizer?Não é um poder real.Não é um poder que possa mudar alguma coisa.

    Dando outro exemplo,pensemos numa mãe.Uma mãe qualquer.Ela tem poder porque é obrigação do filho obedecê-la,e porque ela está exercendo um papel feminino encorajado e aceitável para a sociedade.Ela não precisa ser uma boa mãe para exercer esse poder.Bastou para isso ter posto o filho no mundo.E evidentemente,caso ela não seja uma boa mãe,quando o filho for maior de idade e se sustentar ele não precisará mais nem falar com ela se não quiser.O poder se acaba.Porque não há nada nela como pessoa que a fizesse manter aquele poder.Ela só o exerce porque nenhum homem pode exercê-lo.Só o exerce porque é mulher.

    Agora,vejamos o que seria o poder feminista.Ângela Merkel,chanceler alemã,exerce um poder feminista.Primeiro,porque o cargo que ocupa,ela ocupa independente de ser mulher.Ela o ocupa porque é competente para isso.Porque julgaram que ela seria a melhor opção para o país.E porque o poder que ela exerce pode realmente mudar as coisas.Ela pode alterar a sociedade alemã.Ainda que não toda,mas ela pode.Diferentemente da Madonna.Que não pode alterar nada.Que pode,no máximo dar maior visibilidade para idéias que já existiam e que em nada dependiam dela.Merkel não precisa corresponder aos estereótipos de feminilidade para exercer seu poder.Madonna precisa.Ficou clara a diferença entre poder feminino e poder feminista?

    Se sim,por favor,prefiram o segundo.É mais difícil de ser conseguido?É.Mas é o único poder real.


    Ele não está confuso.

     

    Ele não está confuso.

    E ela não é poderosa

     

    E ela não é poderosa.


    Escrito por princesa_mestica às 14h28
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